Imóvel de Paulo Preto no Guarujá equivale a pelo menos três ‘triplex do Lula’, diz laudo

Angelo Sfair

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Um laudo pericial produzido por determinação da 13.ª Vara Federal de Curitiba aponta que o engenheiro Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como ‘Paulo Preto‘, é dono de um imóvel no Guarujá (SP) avaliado em pelo menos R$ 4,98 milhões – desconsiderando as melhorias e ampliações feitas nos últimos sete anos. Apontado como operador de propinas do PSDB, o engenheiro é dono de uma residência de 729 m² construída em um terreno de 1.200 m² no loteamento Iporanga.

A menos de 30 km de distância do Condomínio Iporanga está o Edifício Solaris, que abriga o apartamento triplex atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A unidade 164-A, indicada pelo MPF (Ministério Público Federal) como propina paga pela construtora OAS levou o petista para a cadeia no ano passado após a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro ser confirmada em segunda instância.

O apartamento atribuído a Lula é mais modesto. Considerando apenas a área construída, o ‘triplex do Guarujá’ é 3,39 vezes menor do que a casa do ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A). O valor dos imóveis também difere em proporções parecidas.

Condomínio Iporanga

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Foto: Reprodução/JFPR

Neste mês, os peritos criminais José de Castro Baptista Vallim e Ior Canesso Juraszek elaboraram um laudo sobre um imóvel de Paulo Preto para atender um determinação do juiz Luiz Antonio

Bonat. O titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba queria saber quanto valia a casa do engenheiro, que é réu pela segunda vez em processos relacionado à Lava Jato no Paraná (Paulo Preto também responde a ações em outras jurisdições).

Paulo Vieira de Souza comprou o imóvel em março de 2012. Os peritos criminais chegaram à conclusão de que a casa valia entre R$ 2,9 milhões e R$ 3,5 milhões. Considerando o valor médio, corrigido pelo índice IGP-M, calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), é possível atestar que o imóvel, naquelas condições, valeria o equivalente a R$ 4,98 milhões.

O valor real é maior do que o apresentado pelos peritos criminais porque a área construída, à época do negócio, era muito inferior à atual. Os 426 m² saltaram para 729 m² de 2012 a 2019, segundo atentaram os peritos com base em documentos fornecidos pela Prefeitura do Guarujá. Além disso, o imóvel passou por uma reforma completa no que se refere à estética e modernização.

Como a Justiça Federal determinou que fosse calculado apenas o valor correspondente à época do negócio (21/03/2012), os peritos criminais não se aprofundaram no cálculo referente ao imóvel no estado atual (reformado e com quase o dobro de área construída).

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Foto: Reprodução/JFPR

 

Edifício Solaris

Confiscado por determinação do ex-juiz Sergio Moro, a unidade 164-A do Edifício Solaris, atribuída à Lula, foi arrematada em leilão por R$ 2,2 milhões. Foi a única oferta do certame. O valor, inflacionado pela popularidade do apartamento, foi vendido acima do preço de mercado.

Considerando o valor médio de outras quatro unidades do Edifício Solaris colocadas à venda, é possível estimar que o valor de mercado da unidade 164-A – o ‘Triplex do Guarujá – flutuaria entre R$ 1,55 milhão e R$ 2,02 milhões. A média alcançada é de R$ 1,78 milhão, desconsiderando que o apartamento atribuído à Lula quase não tinha mobília, como atestaram os peritos judiciais à época do leilão.

Paulo Preto

Apontado como operador de propinas do PSDB, o engenheiro Paulo Vieira de Souza está preso preventivamente no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O ex-diretor da Dersa já foi alvo de pelos menos três pedidos de prisão preventiva.

Depois de ser solto duas vezes por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, Paulo Preto foi detido pela terceira vez em fevereiro de 2019, a pedido da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

Paulo Preto já foi condenado a mais de 170 anos de prisão por crimes como peculato e formação de cartel. A punição está relacionada a desvios em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário de São Paulo. Em um dos processos, o MPF aponta que Souza teria desviado ao menos R$ 27 milhões em valores não-corrigidos desde que havia assumido o cargo de diretor da empresa estatal paulista para Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), em 2007.

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