Penúria de recursos afetará campanhas

Narley Resende


Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba

Faltando uma semana para a liberação da propaganda eleitoral, as campanhas à prefeitura de Curitiba ainda tentam se adaptar às novas restrições, aprovadas no ano passado.

Em 2016, pela primeira vez, ficará proibida a doação de empresas, o que obriga a busca de recursos de pessoas físicas, mais difíceis de obter.

Além disso, 75% do tempo de propaganda na televisão será reservado somente para as falas dos candidatos, e o período eleitoral foi reduzido à metade, para 45 dias.

Alexandre Teixeira, coordenador geral da coligação que deve ter o maior tempo de televisão (Maria Victória -PP), diz que será necessário criatividade contra a falta de recursos. “A turma de que ganhava milhões em marketing, ‘a la João Santana’, não existirá mais”, diz.

Para comandar a propaganda a campanha terá um ‘núcleo duro’ formado por Teixeira, pela jornalista Cila Schuhnan, além do ministro da saúde, Ricardo Barros (PP-PR), em seus horários de folga.

O rival Ney Leprevost (PSD) adianta que fará uma “campanha franciscana”. “Claro que será possível recorrer a pessoas para dar conselhos, de como se adequar na linguagem televisiva, mas a antiga figura do marqueteiro milionário se tomou inviável”.

Leprevost alerta, no entanto, que a proibição às empresas pode favorecer aos atuais governantes, que poderão mobilizar comissionados para fazer campanhas.

Rafael Greca (PMN) diz que fará sua campanha com recursos próprios e da família, e que provavelmente não terá marqueteiro. Ele ainda analisa a possibilidade de receber doações online.

Como bordão, Greca adotou neste ano que ‘quanto mais pobre a campanha, mais rica será a prefeitura’.

O peemedebista Requião Filho elogia a proibição. “Com a Lava Jato nós descobrimos que os candidatos não eram dos partidos, mas das empresas”. diz.

“Para quem faz campanha séria, como nós sempre fizemos, ficou mais fácil, é a campanha”. define.

Em nota, a campanha de Gustavo Fruet (PDT) destaca que a diminuição nos prazos “vai promover uma campanha mais modesta e privilegiar quem tem contato direto com o povo”.

Além disso, Fruet elogia as reduções do número de inserções em rádio e TV.

Menores comemoram

Os candidatos dos partidos menores veem a oportunidade de equilibrar as forças. “Tinha que limitar essa farra das empresas mesmo”, diz Ademar Pereira (Pros).

Afonso Rangel (PRP) afirma que o veto das doações empresariais é ‘excepcional’. “Estamos divididos em duas eras: antes e depois da Lava Jato. No ‘pós-Moro’ as empresas não poderão comandar”.

Já a candidata do PSOL, Xênia Mello é mais cautelosa. “Pode haver uma reconfiguração nestas eleições, mas é preciso fortalecer os órgãos de fiscalização para evitar o financiamento ilegal. Os grandes partidos não sabem fazer campanha sem os recursos milionários das empresas”.

O Metro Jornal não conseguiu contato com Tadeu Veneri (PT) por telefone.

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