PF deflagra 61ª fase da Lava Jato contra esquema de lavagem de dinheiro em banco

Francielly Azevedo


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (8), a 61ª fase da Operação Lava Jato, que mira um esquema de lavagem de dinheiro no Banco Paulista S.A, relacionado com integrantes do “Setor de Operações Estruturadas” do Grupo Odebrecht. . Batizada de “Disfarces de Mamom”, a ação acontece com o apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal.

Conforme a PF, cerca de 170 Policiais federais cumprem 3 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em 35 locais diferentes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os mandados foram expedidos pela 13ª. Vara Federal de Curitiba.

Os presos são funcionários do banco investigado e, na época, um deles atuava na mesa de câmbio, outro era diretor da área de operações de câmbio e o terceiro era diretor geral da instituição.

O ESQUEMA

De acordo com a PF, por meio dessa instituição financeira, os executivos faziam a contratação de empresas de fachada, que emitiam notas fiscais e contratos fictícios para justificar serviços não prestados e assim camuflar pagamentos feitos e recebidos pelo banco no exterior.
Uma vez, pagos, tais empresas, com ajuda de doleiros remetiam numerário para exterior por meio de operações tipo dólar-cabo, conferindo assim aparência de legalidade às operações e obtendo, deste modo, dinheiro em moeda estrangeira com aparência legal.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as investigações revelaram que ao menos R$ 48 milhões repassados pela empreiteira, no exterior, a seis executivos desse setor, foram lavados entre 2009 e 2015 por meio da celebração de contratos ideologicamente falsos com o banco no Brasil. Outros repasses suspeitos a empresas aparentemente sem estrutura, na ordem de R$ 280 milhões, também são objeto da apuração.

Além de salários e participação nos lucros dessa instituição financeira, os sócios do Meinl Bank Ltd. (Antígua) partilhavam uma comissão de 2% sobre cada ingresso de valores de origem ilícita nas contas operacionais do Grupo Odebrecht mantidas naquele banco. O total da comissão destinada a esse grupo de seis pessoas era inicialmente depositada em uma conta titularizada por offshore controlada por Olívio Rodrigues Júnior, que se encarregava de distribuí-la por meio de transferências a contas bancárias de titularidade de outras offshores no exterior, e, no Brasil, por intermédio de doleiros e do Banco Paulista.

INÍCIO DAS INVESTIGAÇÕES

De acordo com a PF, as investigações tiveram início a partir de depoimentos e colaborações colhidas de três administradores de uma instituição financeira no exterior que atuava ocultando capitais em operações criminosas em favor do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Por meio de nota, a PF afirmou que a operação se reveste de uma peculiaridade e de uma especial importância, já que é a primeira vez que a operação Lava Jato cumpre mandados diretamente na sede de um banco.

Os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo e posteriormente transferidos para a Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, onde serão interrogados.

OPERAÇÃO MAMOM

O nome da operação remete a uma passagem bíblica “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24). Isso porque a instituição bancária envolvida, que deveria zelar pelo higidez do sistema financeiro no âmbito do qual ela estava inserida, valia-se de sua posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.