PF vê “indícios muito claros” de que dinheiro do narcotráfico foi para políticos

Jordana Martinez e BandNews FM Curitiba

O delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Efeito Dominó, Roberto Biasoli, afirmou que dinheiro do narcotráfico teria sido entregue a políticos e agentes públicos corruptos investigados pela Operação Lava Jato.

“Há indícios de um vínculo muito claro do dinheiro do narcotráfico, em espécie, indo parar nas mãos de políticos”, afirmou Biasoli em entrevista coletiva à imprensa.

A operação Efeito Dominó, da Polícia Federal do Paraná, prendeu nesta terça-feira (15), oito pessoas em sete estados. Entre os presos estão dois doleiros indiciados na Operação Farol da Colina – do conhecido Caso Banestado – e na Operação Lava Jato.

Embaixador do tráfico

O principal alvo é o delator da Lava Jato Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, braço direito do doleiro Alberto Youssef, que foi preso em João Pessoa, na Paraíba. Segundo a PF, ele retomou atividades ilegais a partir de 2016 mesmo tendo firmado acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Ceará mencionou em delação políticos como o senador e presidenciável Fernando Collor de Mello, do PTC, senador Aécio Neves, do PSDB, e senador Renan Calheiros, do MDB.


Entre os doleiros presos está Edmundo Gurgel Junior, que também foi investigado no Caso Banestado, e José Maria Gomes. Os outros presos hoje (15) são pessoas que auxiliavam esses doleiros. São carregadores malas, secretários e laranjas. Os autos da operação na Justiça Federal do Paraná ainda estão em sigilo. O esquema revelado hoje (15), porém, envolve, segundo a PF, o megatraficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca. A Operação Efeito Dominó é um desdobramento da Operação Spectrum.

Atualmente preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, o traficante Cabeça Branca, teria conexões em dezenas de países, além de uma rede de doleiros e operadores para que pudesse lavar o dinheiro do tráfico. Segundo o delegado Roberto Biazolli, na delação homologada pelo STF, o doleiro Ceará disse que a liquidez que ele tinha de recursos para abastecer o doleiro Alberto Youssef vinha de negócios lícitos. A operação de hoje (15), no entanto, tenta provar que o dinheiro em reais era, na verdade, do tráfico de drogas.

O STF e a Justiça Federal do Paraná devem analisar agora se o conteúdo da delação de Ceará pode ser prejudicado. Como ele continuou praticando crimes e há indícios de que omitiu informações de ilícitos na delação, o processo pode ser comprometido. Segundo o delegado, em tese, apenas os benefícios concedidos ao delator serão comprometidos.

Por meio de ofício, a PGR e o STF foram comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto a “quebra” do acordo firmado. Seis presos na operação serão trazidos hoje (15) a Curitiba e outros dois amanhã (quarta). Eles devem ficar detidos na Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Após a abertura dos malotes, e a coleta de depoimentos, a Polícia Federal não descarta poder contribuir com informações para a Lava Jato ou mesmo dar origem a novas ações. A própria Lava Jato começou em 2013 por meio de investigações de esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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