PGR deve ficar uma semana em Curitiba para obter 500 terabytes de dados da Lava Jato

Angelo Sfair

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O trabalho de obtenção de dados da força-tarefa da Lava Jato no Paraná pela PGR (Procuradoria-Geral da República) deve durar pelo menos uma semana. Técnicos enviados de Brasília trabalham desde ontem (21) na sede do Ministério Público Federal em Curitiba.

O compartilhamento de informações foi determinado pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, a pedido da Procuradoria-Geral da República.

De acordo com fontes ligadas à operação, a demora se deve ao acervo gigantesco acumulado desde 2014. Estima-se que a PGR tenha acesso a cerca de 500 terabytes em dados. Outros 500 terabytes devem ser coletados da PF (Polícia Federal).

Todo o material apreendido, coletado ou produzido durante os mais de seis anos de Operação Lava Jato deve ser entregue à Procuradoria-Geral, sendo sigiloso ou não.

A decisão de Toffoli também abrange os braços da Lava Jato em São Paulo e no Rio de Janeiro.

PGR GANHA ACESSO IRRESTRITO A DADOS DA LAVA JATO

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PGR deve acessar 1 mil terabytes de dados: 500 TB do MPF e outors 500 TB da PF (Geraldo Bubniak/AGB)

Entre os dados produzidos no Paraná que serão compartilhados com a PGR estão informações sobre 50 milhões de movimentações financeiras que somam R$ 4 trilhões.

Além disso, integram a lista mais de 700 relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Ao procurar a Suprema Corte, a PGR alegou que os pedidos iniciais sofreram “resistência ao compartilhamento” por parte dos procuradores no Paraná, que teriam imposto uma “supervisão de informações” para dificultar o acesso.

Procurada, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba preferiu não se manifestar.

A queda de braço entre Lava Jato e PGR se intensificou a partir da suspeita de que procuradores do Paraná haviam investigado pessoas com foro privilegiado, o que é uma prerrogativa exclusiva do órgão em Brasília.

Em nota publicada no dia 9 de julho, a força-tarefa no MPF negou as supostas irregularidades. E afirmou: “é necessário registrar que a decisão parte de pressuposto falso, pois inexiste qualquer investigação sobre agentes públicos com foro privilegiado”.

A força-tarefa Lava Jato no Paraná também manifestou preocupação em relação à decisão inédita do STF, que concedeu à PGR acesso indiscriminado a dados privados de cidadãos, além do afastamento de sigilo de dados bancários, fiscais e telemáticos.

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