Planalto recebe servidores que pedem volta da CGU

Mariana Ohde


Para negociar com aos servidores da antiga Controladoria-Geral da União (CGU) e evitar a continuidade de protestos contra o governo, o Palácio do Planalto agendou uma reunião para esta quinta-feira (2) com os representantes do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical).

Na terça-feira (31), os servidores se reuniram em frente ao Planalto, exibindo faixas contra o que consideram a extinção do órgão de controle. “Combate à corrupção já tem nome. Autonomia e independência à CGU. A extinção da CGU só interessa aos corruptos”, diziam alguns dos cartazes.

Os servidores do novo Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, protestaram novamente nesta quarta-feira (1), em frente ao Planalto. Eles alegam que, em princípio, não vão se opor ao nome de Torquato Jardim, indicado pelo presidente interino Michel Temer para comandar a pasta. Eles serão recebidos pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, no mesmo dia em que está marcada a posse de Jardim, que é ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

Depois de 18 dias à frente da pasta, o ex-ministro Fabiano Silveira deixou o cargo após a divulgação de conversas gravadas em que ele aparece criticando a Operação Lava Jato e dando orientações para a defesa de investigados em esquema de desvios de recursos na Petrobras, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Para Rudinei Marques, presidente da Unacon, a categoria pretende dar um “voto de confiança” a Torquato desde que ele atue para atender às reivindicações dos servidores.

Segundo Marques, não se deve perder a identidade institucional da marca CGU, sob o risco de destruir o reconhecimento que o órgão ganhou nos últimos anos, inclusive internacional. Além disso, acrescentou, a desvinculação do órgão da Presidência da República a deslegitima perante as outras instituições da administração federal.

“Se antes, por exemplo, estivéssemos auditando um programa no Ministério da Saúde, podíamos mandar o ministro corrigir os problemas. Agora, o ministro [da Transparência] tem o mesmo poder que os outros colegas”, afirmou.

Lava Jato

CGU foi retirada da estrutura da Presidência da República, em maio, e agora passou a se chamar Ministério da Transparência, da Fiscalização e do Controle.

O órgão de combate à corrupção atuava em defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão, por meio das atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. Com a extinção, as negociações da CGU com empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato ficaram suspensas pela gestão interina de Michel Temer até a definição de um marco legal que sustente acordos de leniência, uma espécie de delação premiada para as empresas que confessam delitos contra a administração pública em troca de benefícios, entre eles o de não perder o direito de participar de concorrências com toda a administração pública por até cinco anos. Nos acordos, a empresas se comprometem a devolver valores desviados. No caso das empreiteiras da Lava Jato, os valores são bilionários.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal