Lula reavalia agenda da caravana no Sul após dois dias de protestos

Folhapress

Lula convocou uma reunião de emergência com dirigentes petistas e coordenadores da caravana para reavaliar a agenda na região Sul e estudar medidas adicionais de segurança.

Por Catia Seabra

Após dois dias de enfrentamento durante sua passagem pelo Rio Grande do Sul, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência com dirigentes petistas e coordenadores da caravana para reavaliar a agenda na região Sul e estudar medidas adicionais de segurança.

Nesta terça-feira (20), confrontos entre estudantes e manifestantes anti-Lula marcaram a chegada do petista à Universidade de Santa Maria. O caminhão em que estava o ex-presidente foi seguido por 20 carros de manifestantes com bandeiras do Brasil, que chegaram a bloquear o acesso a Santa Maria, na região central do estado.

A comitiva do petista teve que parar na beira da estrada por mais de 15 minutos à espera da retirada dos carros da estrada. As rodovias percorridas pela caravana têm ficado temporariamente interditadas pela polícia para dar passagem ao ex-presidente.

A polícia enviou reforços à cidade, enquanto a comitiva era escoltada por dezenas de carros da polícia e acompanhada por um helicóptero. Foram enviados 12 carros de polícia, incluindo a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Sob orientação de Lula, coordenadores da caravana procuraram o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, o governador do estado, José Ivo Sartori (MDB), a secretaria de segurança estadual e a PRF para relatar as ocorrências.

“É uma atitude fascista tentar impedir o direito de ir e vir de dois ex-presidentes. A caravana foi pensada para um ambiente sereno”, afirmou Miguel Rossetto, pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, nesta terça (20). A ex-presidente Dilma Rousseff também acompanha Lula na caravana.

Assim que Lula chegou à universidade, houve um princípio de confronto. Os manifestantes foram expulsos do campus por apoiadores de Lula, mas voltaram ao local pelo acesso lateral.

Hostilidade

A passagem de Lula pelo Rio Grande do Sul tem sido a mais conturbada da caravana pelo país do pré-candidato do PT ao Planalto até agora. A região Sul, escolhida para a quarta etapa do périplo, é onde o ex-presidente tem menos apoio.

Segundo pesquisa Datafolha feita no fim de janeiro, 23% dos eleitores da região manifestaram intenção de votar no petista, contra 41% no Norte e 56% no Nordeste, por exemplo.

Conscientes do grau de hostilidade ao partido na região, petistas chegaram a questionar a oportunidade da passagem pelo Sul, mas Lula insistiu em ir. O plano inicial é de, durante nove dias, Lula percorrer os três estados da região, totalizando 2,7 mil quilômetros.

Além de visitas a universidades, a agenda tem como ponto forte a visita ao mausoléu de Getúlio Vargas, em São Borja, nesta quarta (21). Nas etapas anteriores, a caravana percorreu estados do Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na segunda (19), Lula já havia sido recebido com protestos em Bagé, município na fronteira com o Uruguai que integra uma macrorregião marcada por concentração de propriedades agrícolas.

Ruralistas e simpatizantes do deputado federal Jair Bolsonaro tinham usado caminhões e tratores para bloquear o acesso da comitiva de Lula à Unipampa (Universidade Federal dos Pampas).

Crítica aos fazendeiros

Alvo de protestos de ruralistas durante sua caravana pelo Rio Grande do Sul, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os grandes fazendeiros de ingratos e caloteiros. Durante ato na comunidade de Nova Santa Marta, na noite desta terça-feira (20), Lula disse que quando se consegue dar R$ 10 para uma pessoa humilde ela será grata para o resto da vida.

Já os fazendeiros, quando obtêm financiamento milionário para compra de maquinários, “não só são mal-agradecidos como passam a vida falando mal do PT”. Ele disse ainda que eles têm dois prazeres: quando recebem o dinheiro e quando dão calote.

“Se eles tratassem os empregados como tratam os cavalos, os empregados estariam muito bem de vida”, criticou Lula. E acrescentou: “estou cansado de ver cavalo comendo maçã.”

Ao discursar para moradores de uma comunidade urbanizada durante sua administração, Lula afirmou, mais uma vez, que querem impedir sua candidatura por causa de seu legado voltado para os pobres.

Às vésperas de julgamento de seu recurso no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Lula voltou a desafiar seus julgadores: “Se juntar todos os meus acusadores… Aqui do Rio Grande do Sul, os três que me julgaram; o Moro, o Ministério Público da Lava Jato, a Polícia Federal, [se] colocar numa prensa e espremer, o que sobrar não tem 10% da honestidade que eu tenho.”

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