Políticos foram alvos de clonagem de celulares; saiba como evitar

Fernando Garcel e Jordana Martinez

O WhatsApp foi a ferramenta utilizada pelo golpista para atacar a vice-governadora Cida Borghetti e os deputados Luiz Claudio Romanelli (PSB) e Evandro Araújo (PSC).

Pelo menos três políticos em exercício de mandato, além de assessores do alto escalão, foram alvos de um esquema de clonagem de celulares no Paraná na última semana. O WhatsApp foi a ferramenta utilizada pelo golpista. Especialista comenta sobre as alternativas para evitar o problema e o que fazer em caso de clonagem do telefone.

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Segundo o analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, Fabio Assolini, ataques deste tipo têm se tornado comum desde o ano passado e visava, principalmente, empresários. O especialista acompanhou casos parecidos com os que afetaram os políticos paranaenses e alerta que o primeiro sinal é que o número do telefone clonado deixa de funcionar instantaneamente.

“A gente falava clonagem, mas não é tecnicamente isso. O número da pessoa é habilitado em um outro chip. A partir desse momento, a pessoa abre o WhatsApp e automaticamente todas as conversas e contatos carregarão no aparelho. O golpista começa a interagir com esses contatos como se fosse o dono da linha”, explica Assolini.


Para conseguir habilitar roubar o número de alguém, o golpista tem duas estratégias. A primeira, ele conta com a ajuda de um funcionário corrupto da operadora do cliente que faz o trabalho para habilitar o número do alvo em um novo chip. Na segunda possibilidade, o golpista falsifica os documentos pessoais da vítima e se passa como o dono da linha e solicita a habilitação do número em um novo cartão. “Todo político é pessoa pública e os dados pessoais estão expostos na internet. Não é difícil conseguir o nome, filiação e data de nascimento de uma pessoa”, afirma Assolini.

A clonagem de telefones também pode atingir anônimos. O especialista aponta que esse problema é alimentado pelos diversos casos de vazamento de dados na internet. No último mês, o comércio eletrônico de artigos esportivos Netshoes teve informações de dois milhões de clientes vazados. “CPF, nome, endereço, data de nascimento… em posse dessas informações é fácil para um golpista se passar por alguém”, conta o especialista.

Como impedir que alguém clone o WhatsApp?

“É muito simples. Nas configurações do WhatsApp você pode habilitar um recurso chamado ‘verificação em duas etapas’. Quando ativa isso, você vai criar uma senha de seis dígitos para seu WhatsApp”, explica Assolini. Na prática, essa proteção impede que em caso de clonagem do número do celular o golpista tenha acesso as conversas e contatos.

Fabio Assolini também chama atenção de usuários do aplicativo que usam o WhatsApp Web. “Nesse caso, nós indicamos que os usuários fiquem atentos a quais sessões estão iniciadas na versão Web. Se encontrar alguma sessão que não foi aberta por você é recomendado que saia de todos os computadores”, conta.

Proteção em aparelhos mobile

Também é possível que os aparelhos sejam infectados e atacados por vírus. Os ataques podem acontecer após o usuário clicar em um link suspeito. Na maioria das vezes, os golpistas acabam interceptando mensagens. Um bom antivírus deve impedir que o aparelho seja alvo de ciberataques. “Um dos produtos de segurança que seu smartphone deve ter é um bom antivírus. Nós temos bons programas gratuitos. Ele vai impedir que um espião se instale no seu aparelho e comece a gravar e coletar informações, SMS e até fotos”, conta Assolini.

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