Após prisão de Richa, Traiano se diz “tranquilo” sobre ter sido citado por delator da Quadro Negro

Vinicius Cordeiro e Francielly Azevedo - CBN Curitiba

O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Ademar Traiano (PSDB), comentou o suposto envolvimento na delação que resultou na terceira prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa.

Traiano foi mencionado pelo dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, principal delator na Operação Quadro Negro. Segundo a investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), mais de R$ 20 milhões, destinados à construção e reforma de escolas estaduais, podem ter sido desviados.

“Estou com a consciência tranquila. Já tive oportunidade de me manifestar sobre esse assunto. Vocês deveriam observar, que até o presente momento, não houve nada contra o deputado Traiano. Eu acho que é chegado o momento de cessar esse tipo de afirmação porque já se condenou muita gente de forma injusta”, declarou Traiano.

Operação Quadro Negro


A Operação Quadro Negro investiga o desvio de verba que seria usada na construção e reforma de escolas do estado entre 2012 e 2015. Segundo as investigações, a Construtora Valor recebeu aproximadamente R$ 22 milhões, mas não entregou as obras.

Segundo a denúncia, a Valor teria sido orientada a apresentar uma proposta bastante baixa na licitação, para vencer o certame e, posteriormente, ser “compensada” com os aditivos, que foram concedidos “de forma absolutamente injustificada, fraudulenta e eivada de vícios (de motivo, forma e finalidade), sem qualquer imprevisto ou situação fática que demandasse a revisão dos montantes originariamente pactuados”. O MP aponta ainda que os recursos repassados a maior teriam sido utilizados como Caixa 2 da campanha de reeleição de Richa ao governo do Estado em 2014.

Beto Richa

O ex-governador foi preso nesta terça-feira (19), também no âmbito da Operação Quadro Negro. Foi a terceira vez que o ex-governador foi detido. Em setembro do ano passado, na Operação Rádio Patrulha, ele permaneceu preso por quatro dias e foi solto após uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Mendes também mandou libertar a esposa de Richa e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, o irmão do tucano, José Richa Filho, conhecido como Pepe Richa, e outras doze pessoas.

Em janeiro, na Operação Integração – braço da Lava Jato, Richa foi preso no dia 25 e foi solto sete dias depois, com uma decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, que concedeu um habeas corpus e determinou a libertação imediata de Richa.

Já na Operação Integração, Beto Richa é acusado de integrar uma organização criminosa no período em que foi governador do Estado, envolvendo um esquema de pagamento de vantagens indevidas pelas concessionárias de pedágio do Paraná. Ele é réu por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Post anteriorPróximo post