Política
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Prisão de Cunha cai como uma bomba em Brasília

A prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pegou de surpresa deputados e senadores.  A expectativa é que o dep..

Jordana Martinez - 19 de outubro de 2016, 13:51

A prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pegou de surpresa deputados e senadores.  A expectativa é que o deputado cassado tente firmar um acordo de delação premiada com o objetivo de proteger a família.

Com a prisão, a Câmara dos Deputados está em polvorosa. A lista de Cunha teria dezenas de deputados, além de vários governadores.

Os procuradores do Ministério Público Federal já adiantaram que só há possibilidade de acordo de delação caso haja novas, e graves, denúncias.

Jean Jean Wyllys (PSOL-RJ)

Comemorações e "barbas de molho"

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)  comentou a prisão pelo Facebook.

"Os seus aliados aqui na casa estão todos em silêncio. O curioso é que o PSDB também nada falou, o líder do PSDB nem nenhum deputado o PSDB nada falou acerca dessa prisão tardia de Eduardo Cunha. O PMDB, partido de Eduardo Cunha, também não se pronunciou, estão todos silentes. Eu diria que estão todos preocupados", alfinetou.

E provocou: "será que a prisão preventiva de Cunha seria o início do fim da gestão de Michel Temer?"

Glauber Glauber Braga (PSOL-RJ)

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), também comemorou: "A gente espera que Eduardo Cunha possa mostrar quais são as suas relações que garantiram a ele tanto poder por tanto tempo. Que garantiram inclusive, a ele Eduardo Cunha, que depois de acusado, que ele ainda tivesse força para indicar o líder do governo na Câmara dos Deputados", provocou.

Pelas redes sociais o PSOL comemorou a prisão de Cunha. Com montagens de "Cunha na Cadeia" e imagens de cédulas sendo atiradas ao alto perto do ex-deputado, o partido repercutiu a prisão usando a #CunhanaCadeia

O deputado federal Chico Alencar (PSOL), comentou o fato. "Então, evidente, nós queremos que todo detento, seja ele quem for, tenha seus direitos humanos respeitados", disse, citando que a prisão de Cunha ocorreu, "provavelmente em face de estar agindo na sua plena liberdade para destruir provas, obstruir a Justiça e dificultar as investigações de que é alvo, já como réu".

O deputado Marcos Rogério, (DEM/RO), comemorou a prisão e falou da expectativa pela possível delação premiada: "ele, ao longo do processo, em vários momentos, correu o risco de ser preso por conta das interferências que praticou... eu acho que é preciso tirar debaixo do tapete muita coisa que está escondida. Neste momento, se ele tem algo a dizer, se tem provas a oferecer, eu acho que é um bom momento", afirmou.Maldaner

Já o deputado federal Celso Maldaner, (PMDB-SC), aproveitou a oportunidade para defender o fim do foro privilegiado: "o caso de Cunha só reforça a necessidade de acabarmos com este privilégio, para que todos os corruptos deste País possam ser punidos por seus crimes. Foro privilegiado é sinônimo de impunidade, e vamos lutar por isso", afirmou.

Prisão

O ex-deputado cassado foi preso por volta das 13h20 desta quarta-feira (19), em Brasília.

A casa do ex-deputado, no Rio de Janeiro, foi alvo de busca e apreensão, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo.

Segundo informações do UOL notícias, também foi decretado o bloqueio de bens de Cunha no valor de R$ 220.677.515,24.

Ele foi detido perto do apartamento em que mora, em Brasília, e encaminhado diretamente para o Aeroporto Internacional, de onde segue para Curitiba em uma aeronave da Polícia Federal. A previsão é que ele chegue por volta das 18h05.

O pedido é de prisão preventiva por tempo indeterminado.

Cunha é acusado de receber cerca de R$ 2,4 milhões em propinas para contratos firmados pela Petrobras em Benin, na África e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. Por essa denúncia ele é réu pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica com fins eleitorais.

Perda de direitos

Ele perdeu o direito ao foro privilegiado após ter o mandato de deputado cassado na Câmara. O ministro Teori Zavaski do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a ação contra Cunha, em relação as contas na Suiça, fosse encaminhada ao juiz no dia 04 de outubro. 

Esta é a primeira vez que o ex-parlamentar responderá a um processo na Justiça Federal do Paraná. Quando recebeu o despacho, Moro determinou que a ação tramite sem qualquer sigilo.