Procurador da Lava Jato compara decisão do STF ao decreto “Salva Ladrões”, na Itália

Francielly Azevedo

roberson pozzobon procurador da lava jato

O procurador da república, Roberson Pozzobon, integrante da força-tarefa Lava Jato do MPF (Ministério Público Federal), comparou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) – que derrubou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância – ao decreto que libertou presos pela Operação Mãos Limpas na Itália em 1994. Na época, o indulto ficou conhecido como “salva ladri” (salva ladrões na tradução).

O decreto Biondi foi editado em 1994 e resultou na soltura dos investigados na Operação Mãos Limpas. A ação realizou uma série de investigações sobre uma enorme rede de corrupção na Itália na década de 1990. O escândalo, conhecido como “Tangentopoli” (a cidade das comissões ilegais), revolucionou a vida pública italiana.

A comparação de Pozzobon foi publicada no Twitter na manhã desta sexta-feira (8). “ITÁLIA, 13 de julho de 1994: foi editado o decreto Biondi, que resultou na soltura de todos os investigados da Operação Mãos Limpas que estavam detidos preventivamente. Ele ficou conhecido como decreto “salva ladri” (salva ladrões)”, diz.

Na sequência, Pozzobon completa e termina com um questionamento. “BRASIL, 07 de novembro de 2019: o #STF decidiu por 6 x 5 proibir a prisão por condenação em segunda instância. Já chovem HC’s de condenados em todo Brasil, inclusive na #LavaJato, postulando aplicação do precedente do Supremo e soltura imediata. Como o dia ficará conhecido?”.

O post foi compartilhado pelo coordenador da força-tarefa, procurador da República Deltan Dallganol. Desde a decisão do STF, nesta quinta-feira (7), Deltan ainda não se manifestou pessoalmente sobre o assunto, apenas compartilhou publicações de terceiros, demonstrando sua insatisfação.

STF CONTRARIOU PRIORIDADES DO PAÍS

Na noite desta quinta-feira, os procuradores da Lava Jato divulgaram uma nota afirmando que o STF  contraria o “sentimento de repúdio à impunidade” e o combate à corrupção no país.

Segundo a força-tarefa, a decisão da corte deve ser respeitada, mas também debatida “como todo ato judicial”.

“A decisão de reversão da possibilidade de prisão em segunda instância está em dissonância com o sentimento de repúdio à impunidade e com o combate à corrupção, prioridades do país”, diz a nota.

DECISÃO DO STF SOLTA PRESOS DA LAVA JATO

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) pode tirar da prisão, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), outros 12 presos da Operação Lava Jato no Paraná – seja em regime fechado, semiaberto ou com tornozeleira eletrônica. De acordo com o MPF, o novo entendimento afeta 38 detidos da Lava Jato, no entanto, nem todos poderão ser liberados, já que detentos que têm medidas cautelares, como prisão preventiva, não podem sair da cadeia.

Os presos não são soltos imediatamente. Cabe a defesa de cada um fazer o pedido pela ordem de soltura junto ao juízo.

A defesa de Lula já afirmou que vai entrar com pedido de soltura.

Previous ArticleNext Article
Avatar
Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.