Professor Galdino é afastado do cargo de vereador

Andreza Rossini


O vereador de Curitiba Professor Galdino (PSDB) foi afastado do cargo nesta quinta-feira (15), em uma sessão especial de julgamento convocada pelo presidente da Câmara Municipal, Ailton Araújo (PSC). 21 dos vereadores presentes votaram pelo afastamento do parlamentar. Ninguém votou contra a medida e houve sete abstenções.

O plenário rejeitou a cassação do mandato, que só ocorreria se 26 vereadores votassem contra o relatório indicando a suspensão – 2/3 dos 38 parlamentares. A votação foi de apenas 9 votos pela cassação – abaixo, portanto, da marca regimental.

Ele foi julgado pela Comissão Processante que investiga uma denúncia de feita pela também vereadora Carla Pimentel (PSC) contra Galdino por agressão. O caso aconteceu em setembro deste ano. O mandado do parlamentar se encerra no dia 31 de dezembro e o período legislativo termina na próxima terça-feira (20). O parecer final poderia optar pela cassação do vereador, que não foi reeleito.

Com a decisão, o vereador não recebe o subsídio proporcional ao período em que foi suspenso, mas não tem prejuízos políticos, como a inelegibilidade por oito anos, o que ocorreria se fosse cassado. “Em que pese a competência do Conselho de Ética para a fixação da penalidade, considerando a economia processual, a gravidade dos fatos e que foram observados os princípios constitucionais da publicidade, contraditório e ampla defesa, opino para que o plenário delibere por acatar desde logo a aplicação da penalidade de suspensão do mandato do vereador Professor Galdino até o final da legislatura, 31 de dezembro de 2016, com perda de prerrogativas e benefícios inerentes à vereança, sem prejuízos dos direitos políticos”, escreveu o relator Mestre Pop (PSC), no relatório. Além dele, compõem a comissão os vereadores Tico Kuzma (Pros), presidente, e Felipe Braga Côrtes (PSD).

“Quando o fato aconteceu, fiquei imaginando quantas mulheres passam por isso e não têm voz”, disse a vereadora Carla Pimentel. No dia 14 de setembro, a denunciante relatou em plenário ter sido agredida pelo acusado na Sala dos Vereadores, dentro do Palácio Rio Branco, diante de outros cinco parlamentares, por volta das 9h30. Ela se queixou que, durante uma conversa sobre material de campanha com os colegas, recebeu do acusado um “santinho” (panfleto eleitoral) e o guardou consigo, mas que no momento seguinte o parlamentar tentou reaver à força o papel, “se jogando por cima da mesa” e apalpando-a.

A advogada de defesa de Galdino, Miriam Carvalho tentou anular os depoimentos das testemunhas.  Admitindo excesso do vereador na tentativa de reaver o material de campanha, a advogada disse: “Me enoja comparar isso aqui àquelas situações em que o marido espanca a mulher, pois isso é violência, e não foi isso que houve aqui”. “Eu sei que ele é exótico [referindo-se ao Professor Galdino], mas não é isso que está em julgamento. Eu quero que vocês [vereadores] olhem para esse colega como um ser humano. Atrás daquele jaleco tem uma família também, um pai e uma mãe de idade”, disse.

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