Política
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PT põe no papel promessa de sacrificar candidatos para atrair PSB

Sob protestos da esquerda do partido, o comando do PT formalizou neste sábado (9) a disposição de sacrificar suas candid..

Cátia Seabra - Folhapress - 10 de junho de 2018, 12:38

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Elza Fiuza /Agência Brasil
Foto: Elza Fiuza /Agência Brasil

Sob protestos da esquerda do partido, o comando do PT formalizou neste sábado (9) a disposição de sacrificar suas candidaturas estaduais em troca do apoio do PSB e do PCdoB na corrida presidencial. Por 19 votos contra cinco e uma abstenção, a Executiva Nacional do PT registrou em papel que "está clara a primazia do projeto nacional sobre as disputas regionais". A resolução submete as candidaturas e alianças estaduais à prévia autorização da cúpula partidária.

"Toda e qualquer definição de candidaturas e política de aliança nos estados terá que ser submetida antecipadamente à Comissão Executiva", diz a nota. Ex-ministro e chefe de gabinete da presidência do PT, Gilberto Carvalho afirma que "este é um sinal" para o PSB.  Segundo petistas, seus termos forem discutidos com integrantes do PSB.

Redigido após quatro horas de discussão, o texto sela um compromisso com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB): a candidatura da petista Marilia Arraes será abortada caso ele leve o PSB para o palanque do PT à Presidência. A resolução determina como prioridade "construir uma coligação nacional para apoiar a candidatura Lula com PSB, PCdoB e outros partidos que venham a assumir este apoio".

O documento diz também que "essa construção passa pela indicação do candidato a vice-presidente em entendimento com os partidos aliados". Durante a reunião, o PT de Minas engrossou uma pressão para que Marilia admitisse desistir em favor de uma composição nacional com o PSB, na qual o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda pudesse ocupar a vice na chapa presidencial.

Nesse acerto, Lacerda não concorreria ao Palácio da Liberdade contra a reeleição do governador Fernando Pimentel. Embora estivesse em Belo Horizonte, Marilia não participou da reunião. Mas enviou representantes. Líder da minoria na Câmara, José Guimarães (CE) afirma que a centralidade política da resolução aprovada é a aliança nacional com PSB e PCdoB. "E nos estados, eles nos apoiam onde governamos e nós os apoiamos onde eles governam", concluiu.

Antes descrentes quanto às chances de aliança, petistas decidiram investir nela depois que enterradas as candidaturas do PSB à Presidência. A estagnação das candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas também estimulou o assédio sobre o PSB.  A ideia é consolidar uma aliança e manter a candidatura do PT sob holofotes antes que esses adversários possam esboçar um crescimento.

Por isso, o PT acelerou a negociação. Vice-presidente do PT, Márcio Macedo, rejeita a ideia de sacrifício. "Queremos uma aliança nacional com PSB e PCdoB". Dirigentes do PSB não gostam da hipótese de apoiar o PT sem saber qual será o candidato do partido. Mas, segundo petistas, a manutenção de Lula à frente das pesquisas, com alto potencial de transferência de votos, tem aplacado resistência.

O PT tem dois nomes à mesa para substituir Lula: os ex-ministros Jaques Wagner e Fernando Haddad. Com força no Nordeste, Wagner tem a simpatia dos líderes petistas. Haddad agrada a militância.

Depois de Dilma Rousseff, Haddad foi o mais aplaudido ao ter seu nome anunciado no ato de lançamento da pré-candidatura de Lula, na noite de sexta-feira (8), na cidade de Contagem. Há ainda no PT a possibilidade da indicação de um nome sem tanto brilho pessoal, para deixar evidente sua subserviência a Lula.