Quadro Negro: Fanini deixa prisão após acordo de delação premiada

Fernando Garcel


O ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná, Maurício Fanini, deixou a prisão na madrugada deste sábado (6). Ele é réu e colaborador do Ministério Público em investigações sobre o esquema de corrupção na construção e reforma de escolas estaduais na Operação Quadro Negro.

O acordo de delação premiada prevê que partir de agora Fanini cumpra 14 meses de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Ele responde por crimes de organização criminosa e obstrução de investigação. O acordo também prevê que ele devolva três imóveis e carros aos cofres públicos.

Quadro Negro: Fanini revela esquema de propina para Beto Richa e ameaças de ex-primeira-dama

A colaboração de Fanini foi um dos motivos que levou o ex-governador Beto Richa para a prisão. Em depoimento, Fanini declarou que atuou para a arrecadação de propinas na secretaria e que os valores tinham como objetivo promover benefício pessoal e eleitoral a Beto Richa e que o dinheiro também pagou viagens e a compra de um apartamento do ex-governador.

OPERAÇÃO QUADRO NEGRO

A Operação Quadro Negro investiga o desvio de verba que seria usada na construção e reforma de escolas do estado entre 2012 e 2015. Segundo as investigações, a Construtora Valor recebeu aproximadamente R$ 20 milhões, mas não entregou as obras.

O ex-governador é acusado, juntamente com outros 13 denunciados, de promover oito aditivos contratuais em obras de escolas públicas estaduais para aumentar o valor repassado à construtora Valor em R$ 4,924 milhões. Segundo a denúncia, a Valor teria sido orientada a apresentar uma proposta bastante baixa na licitação, para vencer o certame e, posteriormente, ser “compensada” com os aditivos, que foram concedidos “de forma absolutamente injustificada, fraudulenta e eivada de vícios (de motivo, forma e finalidade), sem qualquer imprevisto ou situação fática que demandasse a revisão dos montantes originariamente pactuados”. O MP aponta ainda que os recursos repassados a maior teriam sido utilizados como Caixa 2 da campanha de reeleição de Richa ao governo do Estado em 2014.

Richa nega envolvimento no caso e argumenta que foi seu governo que investigou e descobriu o esquema fraudulento nas obras das escolas estaduais, afastando os envolvidos e denunciando o caso ao Ministério Público.

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