“Que sirva de exemplo”, diz Beto Richa sobre 29 de abril

Fernando Garcel

Com informações de Cristina Seciuk

O governador Beto Richa (PSDB) comentou, na manhã desta quarta-feira (16), a decisão da Justiça pelo arquivamento de ação proposta contra ele pelo Ministério Público do Paraná sobre o episódio envolvendo o massacre contra professores e servidores da rede estadual em 29 de abril de 2015. Na fala, em trecho divulgado pela RPC, Richa afirmou que não houve surpresa no arquivamento e disse esperar que o caso “sirva de exemplo”.

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Em decisão publicada na terça-feira (15), a juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergosne, da 5ª Vara de Fazenda Pública do Paraná, inocentou o governador Beto Richa (PSDB) e o ex-secretário de Segurança Pública Fernando Francischini (hoje deputado federal pelo SD). Na ocasião, cerca de 200 pessoas ficaram feridas devido ao forte aparato utilizado pela Polícia Militar para conter a manifestação.

“Eu sempre acreditei que o destino daquelas denuncias seria esse mesmo, o arquivamento, visto que ficou muito claro o papel da polícia de proteger uma instituição democrática como é a Assembleia Legislativa e a defesa do Estado democrático de direito”, declarou o governador. “Já esperava que isso acontecesse. Comemorar não dá porque aquele dia os fatos e imagens foram chocantes e lamentáveis. A gente espera que isso sirva de exemplo e não aconteça nunca mais”, afirmou Richa.


O Ministério Público do Paraná (MPPR), mesmo antes de ser notificado oficialmente, afirmou que vai recorrer da decisão. O órgão vai recorrer por estar “convicto da sólida sustentação jurídica do pleito apresentado ao Judiciário paranaense” e requer a condenação por atos de improbidade administrativa o governador Beto Richa, o então secretário de Segurança Pública e integrantes da cúpula da Polícia Militar do Paraná.

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De acordo com o Richa, ele não está preocupado com o recurso do MPPR. “Assim como esperava que a Justiça fosse feita também o papel do Ministério Público. Isso não vai mudar em absolutamente nada”, declarou o governador.

O 29 de abril

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

No dia da votação do projeto que reestruturava o Paranaprevidência, responsável pelo pagamentos das aposentadorias dos servidores do estado, 29 de abril, professores se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para se opor à aprovação.

O confronto começou quando os servidores, que pretendiam ir à Assembleia para acompanhar a votação, foram barrados por um cordão formado pelos agentes da Polícia Militar (PM). Segundo levantamento da Prefeitura de Curitiba na época, mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Os policiais usaram bombas e dispararam tiros de balas de borracha. A Secretaria de Segurança Pública informou, na ocasião, que 20 policiais também ficaram machucados. A sessão acabou sendo adiada para o dia seguinte, quando os deputados aprovaram o projeto em segundo turno e em redação final.

No dia 29 de maio, um mês após o confronto, o Ministério Público de Contas divulgaria um levantamento que indicava que os gastos com a ação da polícia passaram de R$ 1 milhão. Os números estavam em documento oficial da Polícia Militar do Paraná (PM).

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