Raquel Dodge nega pressão para afastar Dallagnol da Lava Jato

Angelo Sfair

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A procuradora-geral da República saiu em defesa do coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba nesta sexta-feira (2). Em nota de esclarecimento, Raquel Dodge negou ter convocado ou participado de uma reunião de emergência para discutir a situação de Deltan Dallagnol.

O procurador da República na 1.ª instância foi alvo de críticas de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) após reportagem da Folha de S. Paulo, em parceria com o Intercept Brasil, indicar que Dallagnol teria agido nos bastidores para investigar o então presidente da Suprema Corte Dias Toffoli.

Por meio de nota, Raquel Dodge indica que defenderá a manutenção de Dallagnol como procurador-chefe da Operação Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba.

Raquel Dodge afirma que “o princípio constitucional da inamovibilidade é garantia pessoal do procurador Deltan Dallagnol de não ser afastado dos processos da Lava Jato, dos quais é promotor natural, na condição de titular do ofício onde tramitam os processos”, diz a nota.

PGR nega pressão

Após reportagem da Folha de S. Paulo indicar que Dallagnol teria agido para investigar não-oficialmente ministros do Supremo e seus familiares, ao menos dois integrantes do STF solicitaram à PF (Polícia Federal) cópias das conversas que dão base às reportagens do The Intercept Brasil e veículos de comunicação parceiros.

Ainda segundo a Folha de S. Paulo, ministros como Luiz Fux e Alexandre de Moraes trabalham para afastar Deltan Dallagnol da condução das investigações da Lava Jato na 1.ª instância.

Reportagem liga Dallagnol à investigação contra Dias Toffoli

A Folha de S. Paulo indica que o coordenador da força-tarefa em Curitiba buscou informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e sua esposa, numa tentativa de ligá-los a empreiteiras envolvidas nos escândalos de corrupção da Petrobras.

Segundo a reportagem publicada nesta quinta-feira (1.º), Dallagnol fez consultas informais usando um grupo que procuradores mantinham no aplicativo Telegram.

“Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?” – teria perguntado Dallgnol no dia 13 de julho de 2016, no momento em que a empreiteira negociava um acordo com os investigadores. Quem respondeu Deltan foi um procurador de Brasília: “Que eu saiba não”, disse, Sérgio Bruno Cabral Fernandes.

As investidas teriam sido retomadas duas semanas depois, nos dias 27 e 28 de julho.

“Queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. […] Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes”, tornou a escrever Dallagnol.

Resposta da força-tarefa

Por meio de nota, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirmou que Deltan Dallagnol nunca solicitou à Receita Federal que investigasse ministros do STF, entre eles Dias Toffoli. O MPF também nega que houve tentativas de investigar familiares de ministros.

“As investigações realizadas pelos integrantes da força-tarefa sempre foram restritas ao escopo de suas competências perante a 13.ª Vara Federal, na 1.ª instância do Judiciário. As informações sobre detentores de foro privilegiado que chegaram ao grupo sempre foram repassadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), como determina a lei. Algumas dessas informações chegaram à força-tarefa porque ela desempenha o papel de auxiliar da PGR na elaboração de acordos, mas nunca por causa de investigações”, diz a nota.

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