Reforma da Previdência constrange deputados paranaenses

Narley Resende


Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba

Consultados pelo Metro Jornal, nenhum dos deputados federais paranaenses disse ser 100% favorável à reforma da previdência proposta pelo governo Federal – ao menos da forma como ela foi enviada à Câmara, em dezembro do ano passado.

Com modificações no texto, no entanto, a aprovação pode não sertão difícil para o governo Temer, já que apenas três deputados afirmam ser contra qualquer tipo reforma no momento. Já 13 deputados se dizem contra o projeto, mas admitem a necessidade de uma reforma previdenciária. Outros sete se colocam como a favor da reforma, embora também peçam mudanças. (Veja lista abaixo)

Entre as críticas mais frequentes está a possibilidade de a reforma criar pensões abaixo do salário mínimo. Além disso, o tempo de contribuição exigido, de 49 anos, é considerado muito alto e as regras de transição são tidas como muito severas.

Os deputados com base eleitoral no interior também tendem a ser contra as mudanças na aposentadoria rural. Outros reclamam que as regras afetam apenas os trabalhadores do setor privado e federais – servidores estaduais, municipais e as Forças Armadas não pagarão a conta.

Base reticente

Até mesmo o PMDB, partido do presidente, enumera restrições. O deputado Sérgio Souza, por exemplo, considera injusta a equiparação das aposentadorias rurais às urbanas.

“Não podemos esquecer as especificidades do trabalho no campo, que reduzem a capacidade produtiva com o avançar da idade”, diz. Para João Arruda (PMDB), a proposta que tem que ser “aperfeiçoada, e muito, antes que seja votada”.

Os aliados tucanos também não bancam o texto atual. “(Sou) a favor de um entendimento. Estamos tentando construir um entendimento médio entre a proposta do governo e as centrais sindicais, em cima da proposta do deputado Paulinho da Força”, diz Luiz Carlos Hauly.

A proposta de Paulinho prevê idade mínima de 60 anos para homens e 58 para mulheres, já o governo quer 65 anos para ambos os sexos.

Voto individual

A impopularidade levou os partidos a não fecharem questão sobre o tema O PSD, por exemplo, liberou a bancada. “A proposta penaliza só os mais pobres, enquanto a gente sabe que 80% do déficit vem daqueles que recebem mais”, critica Sandro Alex (PSD).

Oposição

Restrita ao PT e à Rede, a oposição avalia que o governo enviou medidas excessivamente duras para assim ter margem de negociação e ceder às emendas da base aliada. “Essa base é muito pragmática. Caso não ocorra mobilização popular, essa reforma infelizmente pode ser aprovada”, diz Ênio Verri (PT). O PT defende que, antes da reforma, é preciso combater a sonegação nos recolhimentos. O partido também diz que o déficit é resultado da crise.

“Se o crescimente fosse de 2% isso se reverteria”, afirma Verri. O texto ainda está sendo debatido em uma comissão especial na Câmara e a previsão é de que ele possa ser votado em plenário em meados de maio.

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