Renan Calheiros fala sobre pedido de prisão: ‘Meu eloquente discurso é o silêncio’

Mariana Ohde


Acusado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comentou rapidamente, nesta quarta-feira (8), o pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Renan informou que só vai se manifestar oficialmente após a deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF) e acrescentou que até lá seu “mais eloquente discurso será o silêncio”.

“Não vou falar sobre isso. Nessa questão, meu eloquente discurso é o silêncio, mas a democracia, como vocês sabem, é um conceito amplo e todas as vezes que nós, como sociedade, demos vazão ao desprezo para a democracia, nós pagamos um preço longo, doído e isso é uma coisa com a qual não podemos mais concordar”, afirmou Calheiros.

“Não vou falar nada antes da decisão da Suprema Corte”, concluiu.

Acusação

Renan foi citado na delação de Sérgio Machado, que também implica outros peemedebistas como o senador Romero Jucá, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-presidente José Sarney. Todos tiveram o pedido de prisão encaminhado ao STF por tentarem obstruir as investigações da Lava Jato – gravações feitas por Machado mostram Renan, Sarney e Jucá discutindo medidas para barrar as investigações da operação. Na delação, o ex-presidente da Transpetro também afirmou que, durante os 12 anos que permaneceu no comando da empresa, distribuiu R$ 70 milhões em propina para políticos do PMDB, incluindo Renan, Sarney e Jucá.

O caso será analisado pelo ministro do STF, Teori Zavascki.

Na terça-feira (7), Renan divulgou nota informando que o pedido de prisão foi “desarrazoado”, “desproporcional” e “abusivo”. Na nota, Calheiros negou que tenha agido para obstruir as investigações da Lava jato e se disse “sereno e seguro de que a nação pode seguir confiando nos poderes da República”.

“O presidente reafirma que não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça, já que nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei. O senador relembra que já prestou os esclarecimentos que lhe foram demandados e continua com a postura colaborativa para quaisquer novas informações”, destacou o documento divulgado pela assessoria de imprensa do senador.

Além da prisão, Janot também pediu o afastamento de Renan da presidência do Senado, usando argumentos similares aos empregados no pedido de destituição de Cunha da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal, o que acabou sendo atendido pelo STF.

 

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal