Secretário do Paraná tem reunião com Bolsonaro e pode assumir o MEC

Vinicius Cordeiro

Nome do secretário é apoiado pelo governador Ratinho Junior e empresários ligados ao presidente.
renato feder

Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, é candidato a assumir o Ministério da Educação após a saída de Abraham Weintraub. Uma reunião entre ele e o presidente Jair Bolsonaro, marcada para essa terça-feira (23), em Brasília, pode selar a nomeação apesar do governo avaliar outras opções, como a permanência do interino Antonio Paulo Vogel, secretário executivo do MEC.

Oficialmente, o gabinete de Feder informou apenas que o secretário passou a tarde em Curitiba e que só se manifestará na quarta-feira (24). No entanto, a reportagem apurou que, internamente, a Secretaria já aposta em Feder com o cargo de ministro por ter grande apoio de políticos e empresários. Por isso, a pasta estadual já traçou um plano para a continuidade do trabalho que está sendo desenvolvido.

Caso a nomeação de Feder seja definida por Bolsonaro, o favorito para assumir a chefia da Secretaria do Paraná é Gláucio Dias, atual diretor-geral e braço direito do atual secretário.

A boa relação entre os dois será uma vantagem para o Paraná, que possuirá uma uma linha direta com o eventual ministro. Esse foi um dos motivos que fez o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), sinalizar positivamente para a nomeação de Feder. A ideia é que o Estado se torne um piloto na eventual gestão de Feder e estreite ainda mais as relações com o governo federal. Para completar, a nomeação de Feder ainda agradaria o centrão já que o PSD é um dos partidos que apoiam o presidente no Congresso.

Vale lembrar que Ratinho foi o único governador que integrou a delegação de Bolsonaro que foi aos Estados Unidos em março, apelidada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como “viagem do coronavírus” já que mais de 20 pessoas terem contraído o novo coronavírus.

Renato Feder já trabalhou como assessor voluntário da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e, antes de assumir a Secretaria no Paraná, era empresário do setor de tecnologia. Também foi professor da Educação de Jovens e Adultos de matemática por dez anos e diretor de escola por oito anos. Ele é formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e tem mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP).

Mais cedo, a jornalista Andreia Sadi, do G1, noticiou que o nome do secretário estadual já passa por uma averiguação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), como é de praxe com todos que podem entrar no governo.

REUNIÃO COM BOLSONARO PODE SELAR NOMEAÇÃO DE FEDER

A reunião com o presidente Jair Bolsonaro será fundamental para a nomeação de Renato Feder. O secretário do Paraná pode ter apoio de uma ala do governo, mas não agrada os extremistas. Para manter o diálogo com esse grupo, Bolsonaro deve acatar parte dos 12 nomes para compôr o Conselho Nacional de Educação (CNE) indicados por Weintraub, conforme noticiou a Folha de S. Paulo. De acordo com a repórter Isabela Palhares, a maioria dos indicados é ligada a Olavo de Carvalho, astrólogo e espécie de “guru” de Bolsonaro.

Dois deles são paranaenses: Gabriel Giannattasio, historiador e docente da UEL (Universidade Estadual de Londrina) que já promoveu debates com Olavo entre os convidados, e Tiago Tondinelli, advogado que foi aluno de Olavo e já ocupou cargo de gabinete do ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, antecessor de Weintraub.

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