Vereador de Curitiba é preso por perturbação do sossego e acusa PMs de racismo

Redação

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O vereador Renato Freitas (PT) foi preso nesta sexta-feira (4), em Curitiba, enquanto jogava basquete e ouvia música na Praça 29 de Março, na região central. Segundo a Polícia Militar, o parlamentar foi detido por perturbação do sossego.

Ele teria reagido a uma abordagem e foi conduzido para o 12º Batalhão da PM para assinar um termo circunstanciado. Outro homem negro foi detido nesta mesma ação, suspeito de contrabando. Ele alega que portava um cigarro de origem paraguaia.

O vereador afirma que policiais militares quebraram a caixa de som na qual ouvia música com amigos. “Essa é a cara de Curitiba. A cara do racismo“, disse Renato Freitas, já detido, enquanto aguardava a conclusão do procedimento.

O policial negou a acusação e se defendeu, afirmando que toda a ação foi filmada.

Só por que nós escurecemos a praça branca de vocês? Foi por causa disso? Se incomodaram conosco?”, disse o homem negro na mesma ação que prendeu Renato Freitas.

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DETIDOS ALEGAM ABUSO E RACISMO DA PM

A abordagem foi filmada e compartilhada nas redes sociais pelo próprio vereador. Ao final da gravação, o parlamentar se recusou a entrar no porta-malas da viatura porque não ofereceu resistência às ordens.

Ao ser questionado por Renato Freitas sobre a infração que teriam cometido, o policial militar responsável pela viatura não soube explicar. O agente afirmou que só foi chamado até a Praça 29 de Março para atender a ocorrência.

“Nossa equipe veio aqui só pra dar apoio para vocês. É você que é o vereador, né? Só ‘fica na moral’ e ‘fechou'”, disse.

Procurada, a SESP (Secretaria de Segurança Pública do Paraná) e a PM-PR (Polícia Militar do Paraná) ainda não se manifestaram sobre a ação.

MARIA DO ROSÁRIO CRITICA PRISÃO DE RENATO FREITAS

A prisão do vereador de Curitiba Renato Freitas (PT) repercutiu amplamente nas redes sociais. O advogado foi eleito em 2020 com pouco mais de 5 mil votos.

A deputada federal e ex-ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT), afirmou que a ação da PM do Paraná configura uma “detenção autoritária e racista”.

Um vídeo compartilhado pela parlamentar mostra o momento da abordagem. Nas imagens, um policial militar aparece confiscando a caixa de som à força e ameaçando voz de prisão.

Os alvos da ação, todos negros e jovens, contestam a forma como foram repreendidos. Um sargento da PM, com a caixa de som na mão, afirma que o grupo causou perturbação do sossego: “eles estavam com o rádio ligado muito alto”, diz.

RENATO FREITAS DIZ QUE AÇÃO DA PM FOI ARBITRÁRIA

Em nota, o vereador de Curitiba, por meio da assessoria de imprensa, disse que foi detido enquanto praticava esportes na Praça 29 de Março. Ele afirma que a abordagem foi realizada de forma inadequada, ferindo direitos fundamentais.

“Mesmo tendo se identificado como advogado e vereador, Renato Freitas foi levado preso ao Batalhão da Polícia Militar, em condições absolutamente desproporcionais e inadequadas com relação à sua dignidade”, diz a nota.

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