Requião culpa Dilma pelo próprio destino. “Ela não se relaciona”

Roger Pereira


Um dos poucos votos declarados fora do PT contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador paranaense Roberto Requião diz ainda ver uma pequena possibilidade de a presidente reverter a tendência de ser afastada em definitivo pelo Senado e aponta como última chance a participação dela na sessão de segunda-feira. Requião avalia, no entanto, que Dilma se colocou nesta situação quase irreversível, pela sua postura de pouco diálogo com os parlamentares. “O Lula jamais correria o risco de ser ‘impichado’ pois ele manteria, fácil, pelo menos 30 amigos no Senado”, disse, em conversa com a imprensa durante o lançamento da candidatura de seu filho, Requião Filho, à Prefeitura de Curitiba.

Confira a opinião de Requião sobre esse e outros temas:

  • Julgamento de Dilma no Senado

É um jogo duro com possibilidade de ser revertido. A presença da Dilma vai mexer com muita gente. O pessoal que trabalhou com ela, aprovou os erros e acertos dela e, agora ,estão votando contra um governo que era deles. É muito difícil a reversão, mas não está descartada.É difícil porque o congresso é fisiológico. Todo mundo já negociou posição, nomeação, verba.

Crime não há. A Dilma é uma mulher correta. O comportamento dela,é perfeito, ela é honesta. O problema é que a Dilma não conversa com os parlamentares. Ele teve um diálogo muito difícil com o Congresso. A Dilma está sendo afastada, talvez por suas qualidades, não por seus erros, que foram muitos, principalmente na política econômica. Mas ela está sendo afastada por não aceitar fisiologismo, não negociar com partidos políticos. Mas ela é muito ruim de comunicação. O Lula jamais seria impichado porque ele manteria 30 amigos no Senado. A Dilma não se relaciona.

  • Governo Temer

A minha posição não é por Dilma ou por Temer. O que me preocupa é o Brasil. A proposta que está atrás do Temer é a proposta neoliberal. É a proposta para acabar com as garantias trabalhistas, e substituir pelos convênios. Num momento de recessão. O trabalhador só perde, é a volta da escravidão. É acabar com saúde pública, transformar em um esquema privado, é acabar com a educação pública, privatizando o sistema. É a proposta que foi aplicada na Europa e quebrou a Europa. Temer e alguns de seus aliados estão dando asilo a uma proposta falida

Com 27 partidos, o Temer também não fica até o final de seu governo. Ele não vai cumprir nem o que prometeu para o capital americano para conquistar esses apoios todos.

O Temer é um conciliador, Chegou onde chegou, sendo três vezes presidente da Câmara, por esse perfil conciliador. Ele não tem posições duras. Ele não é contra a CLT, não quer acabar com a Petrobras, mas de repente, ele se viabiliza no impeachment com essas teses.

Mas o Temer não é o que eles esperam. Ele está se valendo dessas posições pela vaidade de ser presidente da República.

  • PMDB do Paraná x PMDB Nacional

O Maurício (Requião Filho) não tem nada com isso e nem eu. Eu sou um estranho no ninho do PMDB nacional. Mas eu não vou sair do partido, eu não fujo da parada. Eu vou mudar o PMDB por dentro. Porque o PMDB não é o Cunha nem o Jucá ou o Temer. Eles sequer têm o comando do partido. Eles têm o controle da mídia, e do Congresso Nacional. O PMDB do Paraná nunca foi igual ao PMDB nacional. O PMDB do Paraná é o partido das classes populares desligadas do capital.

  • Eleição em Curitiba

Eu vejo no Gustavo (Fruet) um sujeito sério, É honesto, gosto dele, mas ele não conseguiu fazer a prefeitura funcionar, faltou atitude, firmeza. O Rafael Greca está apoiado pelo Beto Richa e pelo Luciano Ducci, que ele chamava das piores coisas até ontem, e têm uma rejeição de 80%. São dois candidatos inviáveis. E o Maurício, com uma proposta nova e uma experiência antiga, tem toda a condição de ganhar a eleição.

  • Eduardo Cunha

Acho que o Cunha deveria estar preso, não tenho dúvida disso. As manobras da Câmara para adiar a cassação mostram o comprometimento do Temer na sua interinidade com as práticas do Eduardo Cunha. São as mesmas manobras que foram usadas para acelerar o impeachment.

  • Lava Jato

O Gilmar (Mendes) disse que as propostas do Sérgio Moro são absolutamente ridículas. Até ontem não eram. Quando liberaram as gravações do Lula, era uma maravilha. Agora, quando levantam uma questão, aliás pífia, a respeito do Toffoli, eles passam a ser bandidos. Eu acho que eles se excederam. Eu festejei desde o começo a Lava Jato, mas eles se perderam, passaram a se imaginar uma espécie de deuses. As 10 medidas contra a corrupção, por exemplo, são uma proposta que sacraliza o ministério público, reduz o poder dos juízes e acaba com a garantia do dinheiro. Inclusive do direito de defesa. É uma aberração. Provas ilícitas, desde que de boa fé? Daqui a pouco vão aprovar provas obtidas por tortura, se for de boa fé. Eles não descendem diretamente dos Deuses, têm a mesma origem genética que políticos, juízes e quaisquer outros brasileiros.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal