Richa nega relação com desembargador e se diz vítima de armação

Mariana Ohde e Fábio Buchmann - CBN Curitiba

A filha do desembargador tem cargo comissionado no governo do Paraná.

O ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), negou qualquer tipo de relação com o desembargador Luiz Fernando Penteado, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que, nesta semana, determinou que um inquérito contra o ex-governador fosse retirado do juiz federal Sérgio Moro. O desembargador tem uma filha com cargo comissionado no governo do Paraná.

Richa é investigado por ter, supostamente, recebido propina da Odebrecht no processo licitatório da PR-323. A empreiteira teria pago caixa de 2 no valor aproximado de R$ 2,5 milhões para a campanha de 2014 do ex-governador.

A Justiça Eleitoral havia determinado que a investigação fosse para a 13ª Vara Federal, onde atua Moro. Mas o desembargador atendeu a um pedido da defesa de Richa e manteve o processo na Zona Eleitoral 177 de Curitiba, na esfera da Justiça Eleitoral.

O que gerou polêmica, neste semana, é o fato de a filha do desembargador, Camila Penteado, filiada ao PSDB há mais de 15 anos, ter sido nomeada por Richa em 2017 para cargo comissionado de assessora da governadoria, conforme o Portal da Transparência.

Na convenção do PSDB, nesta quarta-feira (1º), Richa comentou o assunto e negou conhecer o desembargador. “Estive apenas uma vez com ele, em um evento público, onde apenas o cumprimentei. Ele nunca me pediu cargo para a filha. E, salvo engano, quando ela foi nomeada no ano passado, ele nem estava na Justiça Eleitoral”, disse.

Sobre a filha do desembargador, Richa disse que também não a conhece, mas talvez a tenha cumprimentado. Disse que ela foi nomeada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para administrar um parque em Prudentópolis e tinha formação técnica para ocupar o cargo. “É uma técnica e foi indicada pelo IAP”, afirmou. “A formação dela, inclusive, que me informaram, é de advogada especializada na área sócio-ambiental”.

Richa se disse vítima de uma armação para prejudicá-lo nas eleições. “É uma tentativa de desconstruir minha imagem”, disse. “Confio e sigo confiando na Justiça sempre”.

O desembargador Fernando Penteado foi escolhido por sorteio para decidir sobre o inquérito envolvendo Beto Richa. A decisão liminar do desembargador acatou um pedido da defesa do ex-governador. A argumentação foi de que a competência do inquérito seria exclusivo da Justiça Eleitoral e que não houve qualquer indício de prática de crime para que tramite na Justiça comum.

O desembargador emitiu nota ontem, afirmando que a decisão adotada por ele não tem relação com o cargo ocupado pela filha. “Trata-se de uma função técnica, exercida por uma profissional habilitada, advogada e professora, com especialização em direitos socioambientais, com mestrado na mesma área e doutoranda em ciências sociais aplicadas”.

Vai e vem

O inquérito tramitava, originalmente, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas foi remetido à 13ª Vara Federal em abril, depois que Beto Richa renunciou ao cargo de governador para se candidatar ao Senado e perdeu o foro privilegiado.

Em junho, Moro encaminhou o processo para a Justiça Eleitoral. Neste mês, a juíza eleitoral Mayra Rocco Stainsack determinou a devolução do inquérito para Moro, mas a nova decisão do desembargador do TRE mantém o caso na Justiça Eleitoral.

Candidatura

Em convenção realizada na sede do partido, em Curitiba, nesta quarta-feira, o PSDB homologou a candidatura do ex-governador ao Senado. A sigla ainda não garantiu o apoio a Cida Borghetti (PP), atual governadora, como candidata ao Palácio Iguaçu.

“Atendendo a convocação de muita gente que conversei em todas as regiões do Paraná para representar o Estado do Paraná no Senado”, disse Richa.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal