“Se têm alguma gravação que apresentem”, desafia Richa sobre denúncia

Francielly Azevedo


Francielly Azevedo com Narley Resende

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), fez nesta segunda-feira (22) a primeira manifestação após ter sido citado na delação do executivo Ricardo Saud, da JBS. Richa teria recebido R$ 1 milhão de reais, em propina disfarçada de doação, por meio de José Richa Filho, conhecido como Pepe Richa, irmão do tucano.

O chefe do Poder Executivo paranaense afirma que o irmão não teria recebido nenhum valor de Saud. Além disso, assegurou que Pepe nem fazia parte do comitê financeiro da campanha. “É mentira, meu irmão já fez referências a isso. Eles costumam gravar todo mundo, então talvez se têm alguma gravação que apresentem”, ressaltou.

À Procuradoria-Geral da República (PGR), Saud, diretor de Relações Institucionais e Governo da gigante do setor de alimentos, afirmou que entregou R$ 1 milhão em espécie à Pepe. O repasse do dinheiro teria ocorrido no carro do irmão do governador, na porta de um supermercado em Curitiba.

O governador garante que recebeu doação da JBS, mas que a mesma foi aceita conforme a lei. “Não tiveram qualquer benefício no meu governo, que justificasse a sua fala. O que tem é o mesmo valor que ele cita, registrado e contabilizado no TRE, na nossa campanha”, destacou.

Assim como o presidente Michel Temer, Richa disse que os delatores beneficiaram-se financeiramente da crise deflagrada com as denúncias. “Eu só lamento o crime que eles cometeram no país. Foi um assalto ao Brasil. Saem dando risada, é um escárnio aos brasileiros, deixando o país para trás com uma crise de 14 milhões de brasileiros desempregados. E não bastasse o que fizeram, ainda no final, antes de deixar o Brasil, aproveitando o dia que antecedeu a crise deixada por eles, ainda lesam o nosso país com especulação com a nossa moeda. Então é um absurdo saírem ilesos, no caso deles parece que o crime compensou”, rebateu Richa.

Richa tem outros inquéritos no STJ

Beto Richa já é alvo de duas investigações no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No ano passado, a Corte autorizou investigações sobre o suposto envolvimento de Richa no esquema de corrupção na Receita Estadual revelado pela Operação Publicano.

No fim de março, o tribunal autorizou que se apure a suposta participação do governador em irregularidades na concessão de licenças ambientais na região do Porto de Paranaguá, no Litoral do estado.

No âmbito da Lava Jato, o STJ poderá autorizar nas próximas semanas apurações a respeito do suposto recebimento de caixa 2 pelo tucano, pela Odebrecht, nas eleições de 2008, 2010 e 2014.

Previous ArticleNext Article
Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
[post_explorer post_id="432881" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]