Richa tentou atrapalhar as investigações, diz coordenador do Gaeco

Francielly Azevedo e Fernando Garcel


O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Batisti, explicou, nesta terça-feira (19), em entrevista coletiva, em Curitiba, que a prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi solicitada porque o tucano estaria tentando atrapalhar as investigações. Richa teve a prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Quadro Negro, que investiga o desvio de dinheiro para construção e reforma de escolas.

Conforme Batisti, a prisão foi determinada tecnicamente pela garantia de ordem pública, conveniência da instrução criminal e garantia da lei penal. “A justificativa apresentada ao juiz que acolheu o pedido foi principalmente o fato de que houve nesse período uma combinação e uma obstrução de Justiça, notadamente dirigida a pessoa do Maurício Fanini […] Em um primeiro momento com um convencimento de Maurício Fanini e em um segundo momento com a entrega de dinheiro a ele, e continuando aquela tentativa de convencimento para que ele sempre se mantivesse firme e mantivesse as relações de amizade e portanto não expusesse os fatos que haviam acontecido e pelos quais o próprio Maurício Fanini fora então até preso”, explicou Batisti.

Segundo Batisti, Richa chegou a se encontrar pessoalmente com Fanini, que teriam começado em 2015. “Houve envio de pessoas, mas também houve encontro dele (Richa) com o Maurício Fanini, relatado pelo Maurício Fanini”, relatou.

No despacho, o juiz determinou que as prisões de Richa, do ex-secretário especial de Cerimonial e Relações Exteriores do Paraná, Ezequias Moreira, e do empresário Jorge Atherino, tido como operador financeiro de Richa, sejam cumpridas no Complexo Médico Penal do Paraná, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na última sexta-feira (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu um salvo-conduto para impedir que Richa e familiares fossem presos. Questionado sobre isso, Batisti explicou que o relatório do ministro Edson Fachin, na Operação Lava Jato, garante que em circunstâncias similares a prisão possa ser executada.

Conforme a denuncia, Richafoi denunciado por organização criminosa (pena máxima de 8 anos), corrupção passiva (pena máxima de 12 anos), fraude à licitação (pena máxima de 4 anos) e obstrução de investigação de organização criminosa (pena máxima de 8 anos).

A ex-primeira dama, Fernanda Richa, também foi denunciada por obstrução de justiça e organização criminosa. A prisão dela não foi decretada, porque não existem elementos que corroborem com o pedido.

Foram encontrados relógios de luxo, artigos pessoais e mil dólares em espécie.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.