Rodrigo Janot é ponderado e equilibrado, diz chefe da Lava Jato em entrevista

Lucas Gabriel Marins

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O procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou neste domingo (6) que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é ponderado e equilibrado, apesar de ele ter confessado no mês passado um plano para assassinar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

“Quando a gente olha o procurador, vemos que ele teve uma história de trabalho equilibrado e firme contra a corrupção. Acredito que a declaração dele foi uma questão bastante isolada”, disse Dallagnol, em entrevista concedida ao programa Cidade Entrevista, da Rede Massa, filiada do SBT no Paraná.

Ainda segundo Dallagnol, a atitude do ministro, embora atente contra princípios cristãos seguidos por ele, não passou de um pensamento. “Ninguém pode ser punido por refletir sobre fazer algo. Mais errado ainda que se cogitar algo errado é fazer algo errado”.

Dallagnol diz que população precisa ir às ruas contra a lei de abuso de autoridade

Na entrevista, Dallagnol também pediu para a população ir às ruas para ajudar a barrar a lei de abuso de autoridade, que prevê punição a juízes e membros do Ministério Público. Em setembro, o Congresso derrubou 18 vetores referentes à legislação.

Ele afirmou que tem visto juízes soltando traficantes e membros de organizações criminosas presos por medo que os tribunais entendam que a prisão foi indevida.

“Precisamos que projetos como esses sejam barrados. Mas os políticos só se sensibilizam quando veem as pessoas tomando atitudes concretas, pacíficas e realizadas por canais democráticos. Quando isso não acontece, se abre espaço para retrocesso”, disse.

Segundo o procurador, a Lava Jato só deu certo e foi um movimento “irrefreável” porque rompeu a impunidade de poderosos porque teve apoio da população.

Mensagens divulgadas por hacker estão deturpadas, volta a afirmar procurador

Dallagnol também falou sobre a divulgação de mensagens entre procuradores divulgadas pelo site The Intercept Brasil. Ele voltou a afirmar elas foram editadas e estão deturpadas.

“Essas conversas não estão sendo divulgadas na íntegra, mas com trechos pinçados, fora de contexto, deturpados e editados. Além disso, são interpretadas de acordo com a visão de advogados criminalistas”, disse.

Na entrevista, ele também defendeu a ida de Lula para o regime semiaberto e pediu apoio da população na defesa do pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro.

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