Romero Jucá e Sérgio Machado viram réus na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro

Angelo Sfair

romero jucá sérgio machado transpetro galvão engenharia réus lava jato Foto Pedro FrançaAgência Senado


O ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado se tornaram réus em uma ação penal da Lava Jato. Eles responderão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Uma denúncia apresentada contra eles foi aceita pela 13.ª Vara Federal em Curitiba. Eles são investigados por um esquema envolvendo a Galvão Engenharia e a subsidiária de transporte da Petrobras.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal), os crimes envolviam quatro contratos e sete aditivos celebrados entre a Galvão e a Transpetro. Jucá e Machado são acusados por supostos pedidos de R$ 22,4 milhões em propinas. O valor é referente a 5% do valor dos contratos suspeitos.

A denúncia aponta que o presidente nacional do MDB recebeu, efetivamente, pelo menos R$ 1 milhão. O repasse, segundo os procuradores, aconteceu em 2010, por meio de doações oficiais ao diretório estadual do partido em Roraima.

A denúncia contra Romero Jucá e Sérgio Machado

Conforme o MPF, a Galvão Engenharia, em razão de contratos e aditivos que mantinha na Transpetro, e com a finalidade de continuar recebendo convites para participar das licitações da estatal, efetuava o pagamento de propinas no porcentual de 5% do valor de todos os contratos com a subsidiária da Petrobras a integrantes do MDB que compunham o núcleo de sustentação de Sérgio Machado na presidência da Transpetro.

Segundo a denúncia, o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, indicado e mantido no cargo por Romero Jucá, tinha a função de arrecadar propinas para seus padrinhos políticos. Em contrapartida, Sérgio Machado garantia às empreiteiras a continuidade dos contratos e a expedição de futuros convites para licitações.

O pagamento da propina pela Galvão Engenharia foi disfarçado por meio de doação eleitoral oficial de R$ 1 milhão. Em junho de 2010, a empresa efetuou o repasse desses subornos para Romero Jucá ao Diretório Estadual do MDB no Estado de Roraima. As propinas, assim, irrigaram a campanha de reeleição de Romero Jucá ao Senado, bem como as campanhas do filho e de ex-esposa para o Legislativo.

As investigações comprovaram ainda que a Galvão Engenharia não tinha qualquer interesse em Roraima que justificasse a realização da doação oficial, a não ser o direcionamento de propinas para Romero Jucá.

Outro lado

A defesa de Jucá afirma que o emedebista é inocente. O advogado Antônio Carlos de Almeida, o ‘Kakay’, atribui a abertura da ação penal à “ânsia abusiva de poder por parte do Ministério Público”. Por meio de nota, o defensor argumenta que a Lava Jato tenta criminalizar a política.

“A defesa se reserva o direito de fazer os questionamentos técnicos no processo reiterando a absoluta confiança no Poder Judiciário”, afirma Kakay.

O advogado de Romero Jucá afirma que a denúncia tem como base o depoimento “sem credibilidade” do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que também sentará no banco dos réus.

“Lamentamos, mais uma vez, o fato de ter sido levado em consideração para a denúncia um depoimento de um delator absolutamente sem credibilidade, principalmente neste momento em que cada vez mais as ‘estranhezas’ sobre as delações na Operação Lavajato afloram, mas reafirma a tranquilidade no direito do ex-senador e reitera a plena confiança no Judiciário que certamente será imparcial e justo”, completa Kakay.

A defesa de Sérgio Machado afirmou que “o recebimento da acusação era um ato esperado e disse que confirma a qualidade de sua colaboração processual”.

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