Rosinha não descarta aliança com Requião e candidatura de Lula

Redação e Metro Curitiba

O presidente do Partido dos Trabalhadores no Paraná, Dr. Rosinha, é o pré-candidato do PT ao governo do Paraná nas eleições deste ano. Em entrevista ao Metro Jornal, ele fala sobre o plano de governo, uma possível aliança com Roberto Requião, presidente do MDB no Paraná, sobre pedágios e a candidatura de Lula à presidência da República.

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Rosinha nasceu em Rolândia, é formado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), atuou em postos de saúde de Curitiba e foi um dos fundadores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc). Na capital, ele foi eleito vereador em 1988. Em 1990 se tornou deputado estadual e, em 1998, deputado federal, permanecendo no cargo por 16 anos. A trajetória política também passa pelo Parlamento do Mercosul, onde atuou como representante do governo Dilma Rousseff.

Em que fase está a sua pré-candidatura?
Dia 26 de maio vamos ter uma reunião do Diretório Estadual, na qual vamos bater o martelo sobre a pré-candidatura. Hoje tenho feito uma construção interna bastante positiva e a possibilidade de ser meu nome é bastante grande.


Além de ter candidato o PT ainda pode construir uma aliança? Com o Requião, por exemplo?
Estamos fazendo duas coisas ao mesmo tempo: construindo a pré-candidatura e também o plano de governo. Tendo um pré-candidato e um programa, eu abro todas as possibilidades de coligação em cima de plano de governo. Não vai ser em cima de nomes que nós vamos buscar coligações. Nós temos conversado com o Roberto Requião, como presidente do MDB no Estado, com a possibilidade de ter alguma coligação, pode ser governador ou Senado. Temos até julho para fazer esta construção.

O PT chega neste ano enfraquecido em relação a 2014?
Quando você fala que o PT está mais fraco, eu pergunto, quem está forte? A crise política é muito grande, há uma crise de credibilidade de partidos e de pessoas. Todos os partidos estão vivendo
essa crise de credibilidade e de confiança. Nós estamos todos no mesmo patamar da crise, e nós ainda temos vantagem em relação aos outros. Temos o Lula que é o maior líder popular do país e aqui no Estado as pesquisas indicam ele variando de 28% a 30% nas preferências. O PT varia de 17% a 19% na preferência partidária dos eleitores, na espontânea, e nós temos ainda a militância. São três pontos que os demais partidos não têm. Vamos concorrer no mesmo patamar, não vamos ficar devendo a ninguém.

Qual a esperança o Lula tem hoje para tentar ser candidato?
Ele não vai tentar, ele é pré-candidato e será candidato em 2018.

De que maneira?
Nós vamos inscrevê-lo no dia 15 de agosto. Nossa convenção aprova o nome dele e vamos fazer a disputa que for necessária de forma jurídica. Quem diz que ele não é candidato é o Poder Judiciário, que muito contribuiu com o golpe no Brasil.

Mesmo estando preso ele vai ser inscrito?
Vai e nós vamos fazer a campanha para ele. Porque ele é inocente.

O ex-governador Beto Richa disse ser vítima de uma onda de denuncismo? O que achou da declaração?
Há uma onda de denuncismo e há aqueles que bateram palma para o denuncismo, entre eles o próprio Beto Richa, e o próprio chefe da Casa Civil dele, deputado federal (Valdir Rossoni) e muitos outros. Agora, o denuncismo continua e alguns são vítimas, mas o Beto Richa não é. Ele tem que responder por denúncias sérias na Quadro Negro, na Publicano e em todos as outras em que
o nome dele aparece. Mas o que eu questiono e acho que tem que acabar é o papel de denuncismo do Ministério Público. E esse negocio de juízes aparecerem em retratos com partidos políticos, é o caso do Sérgio Moro que está sempre com tucanos. É esta a causa da injustiça. A última pesquisa CNT/MDA, diz que só tem 8,8% que acredita no Poder Judiciário. E foram eles mesmos que construíram esse processo, em parte pelo denuncismo, e pela irresponsabilidade de entrevistas que não cabem a eles. Eles se autodestruíram.

O Sr. acredita em uma perseguição específica do MP contra o PT?
O Deltan Dallagnol, se eu fosse um procurador, teria vergonha de andar ao lado dele. O powerpoint foi vergonhoso. E fazer jejum para prender Lula? Melhor seria fazer jejum pelos pecados dele. Pecou demais. E como pode o Sérgio Moro grampear a presidente da República e depois soltar para a imprensa? Só o STF poderia autorizar.

Qual a opinião do Sr. sobre a declaração do prefeito Rafael Greca, que disse que o acampamento do PT não tem cara de Curitiba?
O Greca olha no espelho e acha que a cara dele é a cara de Curitiba. Curitiba tem muitas caras, muitas cores, muitas ideologias diferentes das dele. Também tem muita manifestação política diferente da dele. Ele tem que entender que é toda a diversidade de Curitiba que vai lá se manifestar. Ele é um homem inteligente e deveria entender que existe toda uma diversidade cultural, política e ideológica que não é cara dele no espelho.

O seu projeto de governo já está definido?
É um programa que estamos discutindo; fizemos um diagnóstico da infraestrutura e da questão social e a partir daí vamos debater as propostas. Nós vamos mostrar um programa que não vai ser mais do mesmo. Porque o que é feito hoje é que geralmente os candidatos vão lá e dizem: “a saúde está boa e nós vamos fazer mais”. Eu quero dizer que não, na saúde tem muito a ser feito. Eu não
posso dizer que está bom. Eu quero dizer que o sistema hoje está muito mal, o povo está tendo muita dificuldade para ter acesso.

Qual seu plano para os pedágios no Paraná, que vencem em 2021?
Serão todos revistos e serão cobrados, vou me debruçar sobre eles e tudo que foi cumprido e o que não foi, e exigir que se cumpra na íntegra. Renovação só com discussão de valores ou de preço.
Ou ainda, já que a estradas são públicas, elas podem voltar a ser públicas com valor reduzido e manutenção feita pelo estado. É uma boa saída, inclusive. O estado com uma empresa estatal pública quem passa a fazer toda gestão da rodovias. Eu estudaria o processo de criação de uma estatal.

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