“Sede da PF não é local de cumprimento de pena”, diz superintendente regional sobre custódia de Richa

Cristina Seciuk - CBN Curitiba


Durante entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (31), convocada para dar esclarecimentos sobre a nova fase da operação Lava Jato, o superintendente regional da Polícia Federal no Paraná, Luciano Flores de Lima, foi questionado também sobre a custódia do ex-governador Beto Richa, preso provisoriamente na última sexta-feira (25) no âmbito da operação Integração.

Apesar de a prisão ter sido realizada pela PF, Richa era mantido em um Regimento da Polícia Militar, no Tarumã, situação que foi questionada judicialmente pelo Ministério Público Federal. A justificativa apresentada formalmente, ao juízo, foi de que não havia espaço na carceragem e, por isso, solicitou-se vaga no sistema prisional. O superintendente afirmou que a partir de então, a PF apenas fez a função de levá-lo para onde determinado.

“A PF cumpre ordens judiciais sem questionar, mas quando temos que recolher um preso no sistema penitenciário estadual cabe ao estado dizer onde ele deve ser colocado. Assim foi feito. Hoje nós cumprimos uma medida judicial, tirar o ex-governador Beto Richa do Regimento da Polícia Militar e levar ao Complexo Médico Penal”, disse.

Questionado sobre uma eventual chance de Richa permanecer preso na carceragem da PF e não no Complexo Médico Penal, para onde foi levado nesta manhã (de quinta, 31), o superintendente regional explicou – inicialmente – em quais casos e por quais motivos mantêm-se presos na sede.

“Tentamos, em casos excepcionais, trazer aqui para a carceragem da PF, principalmente quando precisa ser ouvido no âmbito da investigação criminal ou quando há algum procedimento de colaboração premiada em andamento, coisas assim”, disse.

Na sequência justificou:

“Como já estava sendo oferecida a denúncia pelo Ministério Público Federal, não há mais a necessidade de ouvi-ló. A Polícia Federal também não pode ser entendida como uma penitenciária ou local para cumprimento de pena. Estabelecimento penal para cumprimento de pena provisória não é em delegacias de polícia e muito menos na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, que já tem muito o que fazer”, afirmou.

O superintendente regional da Polícia Federal no Paraná, Luciano Flores de Lima, ainda rebateu os questionamentos com outra pergunta:

“Pegunto, porque o Beto Richa deveria estar na Polícia Federal se ele não vai ser ouvido por ninguém, nem PF, nem Ministério Público; se ele já está sendo denunciado e aí as audiências vão ser judiciais e se não é atribuição da PF fazer transporte de preso, levar para audiência e fazer custódia?”.

Procurada, a assessoria de comunicação da PF não soube comunicar a capacidade da carceragem da sede em Curitiba. Além das vagas destinadas à custódia de presos naquele espaço, a PF mantém há dez meses uma sala especial onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre pena, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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