Operação Lava Jato
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O governo quer abafar a Lava Jato, afirma Medina após demissão

Demitido nesta sexta-feira (9), o agora ex-advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, acusa o governo de afastá-lo do..

Mariana Ohde - 10 de setembro de 2016, 10:09

Demitido nesta sexta-feira (9), o agora ex-advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, acusa o governo de afastá-lo do cargo para evitar que as investigações da Operação Lava Jato que envolvem aliados dos atuais governantes avancem. Em entrevista à revista Veja, ele chegou a afirmar que “o governo quer abafar a Lava Jato”. Ainda segundo a revista, Medina teve um desentendimento com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O impasse começou há cerca de três meses, quando Medina solicitou às empreiteiras investigadas que ressarcissem o erário pelo dinheiro desviado da Petrobras. Medina também teria pedido acesso aos inquéritos da Lava Jato para que pudesse mover ações de improbidade administrativa contra os envolvidos que ocupam cargos no atual governo.

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Segundo a Veja, a Polícia Federal (PF) enviou uma lista com os nomes de 14 políticos. São eles: Arthur Lira, Benedito Lira, Dudu da Fonte, João Alberto Piz­zolatti Junior, José Otávio Germano, Luiz Fernando Faria, Nelson Meurer e Roberto Teixeira (todos do PP); Gleisi Hoff­mann, Vander Loubet e Cândido Vaccarezza (do PT); Renan Calheiros, presidente do Congresso, Valdir Raupp e Aníbal Gomes (do PMDB).

Com a lista em mãos, Medina pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos inquéritos e, com a autorização, a AGU precisava copiar os documentos em um HD - o que não aconteceu. Na entrevista, Medina conta que Padilha queria evitar que as informações chegassem à AGU e a secretária encarregada da cópia, Grace Fernandes Mendonça, justificou a demora dizendo que não conseguia encontrar um HD externo. “Me parece que o ministro Padilha fez uma intervenção junto a Grace Mendonça, que, de algum modo, compactuou com essa manobra de impedir o acesso ao material da Lava Jato”, conta Medina à Veja.

O ex-advogado-geral contou, ainda, que foi avisado sobre a demissão na quinta-feira (8), durante uma discussão com Padilha. No dia seguinte, ele recebeu o telefonema do presidente Michel Temer, confirmando sua saída. Grace substituiu Medina no cargo, indicada pelo presidente Temer.

Ainda segundo a revista, Medina afirmou que o combate à corrupção não é prioridade do governo Temer. “Se não houver compromisso com o combate à corrupção, esse governo vai derreter”, afirma. Mas, mesmo com as denúncias, Medina não chegou a acusar diretamente Temer de atos ilícitos. 

Em nota, o governo se limitou a agradecer Medina:

"O presidente Michel Temer convidou hoje para ocupar o honroso cargo de Advogado-Geral da União, a doutora Grace Maria Fernandes Mendonça, distinta profissional e servidora de carreira daquele órgão. O presidente agradece os relevantes serviços prestados pelo competente advogado doutor Fábio Medina Osório, que deixa o cargo".

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No Twitter, Eliseu Padilha também agradeceu.