Operação Lava Jato
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“PF é polícia de Estado e não de governo”, defendem delegados

Os delegados de Polícia Federal manifestaram “total indignação e repulsa” diante do conteúdo de grampos envolvendo o ex-..

Redação - 19 de abril de 2016, 12:04

Os delegados de Polícia Federal manifestaram “total indignação e repulsa” diante do conteúdo de grampos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgados nesta quarta-feira (17).

Em entrevista coletiva em Curitiba, na manhã desta quinta-feira, a categoria aproveitou a repercussão dos fatos para reafirmar a necessidade de independência da instituição. “A ação da Polícia Federal independe e não pode ficar sujeita à interferência dos partidos políticos”, defendem os delegados. O Sindicato dos Delegados da Polícia Federal do Paraná (Sindpf/PR) quer a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 412/2009 (PEC 412/2009), que estabelece a autonomia administrativa, financeira e orçamentária da instituição. A PEC tramita no Congresso Nacional atualmente e o sindicato reúne assinaturas em apoio à aprovação do projeto.

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“Foi lançada a campanha justamente para que evite-se essa ingerência política por parte do governo em relação à Polícia Federal. Tem que ficar claro que a Polícia Federal busca ser uma polícia de Estado e não subserviente a governos”, afirma o chefe da Delegacia de Segurança Privada (DELESO/PR), o delegado Jorge Luis Fayad Nazário. Segundo o delegado, os acontecimentos das últimas semanas envolvendo, principalmente, a investigação de Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciam uma interferência e uma tentativa de direcionar o trabalho da polícia. “Atualmente, essa interferência do Governo Federal, essas nomeações ao ‘apagar das luzes’, sem que houvesse pelo menos uma manifestação do grupo que está investigando a Lava Jato, demonstra que querem minar a Lava Jato. Essa é nossa grande preocupação”, afirma.

Sobre a nomeação de Lula, o presidente do sindicato, delegado Algaci Mikalowsk, afirma que a população espera que a polícia exerça sua atividade, principalmente em prol do combate à corrupção, sem interferências. “Há um sério risco em termos de pressões, há um sério risco em termos de indicações políticas, inclusive para o ministério, e isso traz um alerta muito grande para a Polícia Federal”, conta.

PARTIDOS POLÍTICOS

Segundo os delegados, não há, na Operação Lava Jato ou na atuação da PF, a intenção de atacar um partido político específico. “, elas impedem a investigação. Sem falar na troca de comando. Essa troca de comando que está ocorrendo agora, no Ministério da Justiça, nas próprias conversações que verificamos ontem, revela que há um certo desprestígio em relação à Polícia Federal”, conta.

O delegado lembra que a autonomia não significa a falta de controle, que seguiria sendo feito pelo Ministério Público Federal, do Tribunal de Contas da União e Corregedoria. “Nenhuma instituição sólida vai viver sem controle”, afirma. Segundo o delegado Algaci, a falta de autonomia par as contratações também pode afetar a corporação. “Nós precisamos de mais contratações, o departamento não está dando vazão a isso. Isso é direcionado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Justiça. Hoje, nós temos um efetivo que precisa crescer”, afirma.