Operação Lava Jato
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PF nega que Paulo Roxo tenha sido coagido, chantageado ou intimidado

A Polícia Federal (PF), negou, em nota, que o ex-assessor de Gim Argello, Paulo Roxo, tenha sido "coagido, chantageado e..

Mariana Ohde - 30 de agosto de 2016, 07:08

A Polícia Federal (PF), negou, em nota, que o ex-assessor de Gim Argello, Paulo Roxo, tenha sido "coagido, chantageado e intimidade ostensivamente" em seu interrogatório realizado abril. Paulo Roxo fez as acusações durante seu depoimento, nesta segunda-feira (29), ao juiz federal Sérgio Moro, para justificar contradições em suas alegações. O réu disse que foi obrigado a afirmar, na ocasião, que a doação que recebeu do empresário Júlio Camargo em nome de Argello era ilegal e fruto de propina.

Roxo é réu de uma ação penal da 28ª fase da Operação Lava Jato, que apura a cobrança de propina por Argello de empresários, para blindá-los da CPMI da Petrobras de 2014.

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A PF afirma que os depoimentos foram gravados em áudio e vídeo e seguiram todos os parâmetros legais - inclusive, a garantia do direito de permanecer em silêncio e não responder perguntas. A PF ressalta também que ele sempre esteve acompanhado de seu advogado.

"A Polícia Federal repudia as alegações de Paulo Cesar Roxo Ramos uma vez que não refletem a postura de seus servidores que primam por uma atuação técnica, responsável e garantidora de todos os direitos fundamentais do cidadão", diz o documento.

Leia a nota na íntegra:

A Polícia Federal foi surpreendida na tarde de hoje com declarações de Paulo César Roxo Ramos, réu na ação penal correspondente à 28ª fase da Operação Lava Jato, em que alega ter sido “coagido, chantageado e intimidado ostensivamente” em seu interrogatório.

Os depoimentos prestados em sede policial por Paulo César Roxo Ramos foram gravados em áudio e vídeo e seguiram todos os parâmetros legais para um ato desta natureza. Todas as suas declarações foram dadas com a mais absoluta tranquilidade e sem nenhum tipo de obstrução, sendo sempre a ele garantido direito constitucional de permanecer em silêncio e não responder às perguntas, sempre na companhia de seu advogado constituído.

Todo o material correspondente aos depoimentos do réu está à disposição do Ministério Público Federal e da Justiça Federal para as providências que se entender cabíveis ao caso.

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A Polícia Federal repudia as alegações de Paulo Cesar Roxo Ramos uma vez que não refletem a postura de seus servidores que primam por uma atuação técnica, responsável e garantidora de todos os direitos fundamentais do cidadão.

Ministério Público Federal

Também nesta segunda-feira, o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou sobre o ocorrido.

Segundo o órgão, vídeos do depoimento sustentam que o depoimento ocorreu em clima ameno e que não houve pressão do delegado Luciano Flores, responsável pelo procedimento, para que Roxo desse tais declarações. O MPF lembrou, ainda, que o depoimento de Roxo começou antes da decisão judicial que revogou sua prisão e que tal decisão lhe foi comunicada assim que a informação chegou aos responsáveis pela inquirição.

Segundo o MPF, após o comunicado, inclusive, Roxo adotou a estratégia de manter-se em silêncio, revendo-a depois que seu advogado solicitou um momento para uma conversa particular.

O MPF destaca, ainda, que, no mesmo dia, assim como nesta segunda-feira, prestou depoimento outro assessor de Argello, Valério Neves, que não reclamou de nenhuma irregularidade em sua inquirição.

“O fato ocorrido hoje é mais um exemplo de críticas infundadas de supostos abusos na Laja Jato. Neste caso, por sorte, há vídeos que permitem espancar quaisquer dúvidas sobre a regularidade do procedimento”, diz o MPF, que informa que o delegado Luciano Flores representou pela instauração de inquérito policial e oferecimento de denúncia contra os responsáveis pela prática do crime de calúnia e outros eventualmente conexos a este fato contra a sua pessoa.

Alegações

"Eu fui coagido, chantageado, intimidado ostensivamente, de maneira pouco usual. Acima do que é aceitável de qualquer servidor público. O tempo todo me sendo disto que se eu não colaborasse, não falasse o que o delegado queria ouvir, minha prisão seria revertida em preventiva”, disse Paulo Roxo ao justificar a Moro contradições.

Paulo Roxo disse que, quando foi depor, o juiz Sérgio Moro já havia revogado sua prisão, mas tal informação lhe foi omitida pela PF que, após o depoimento, lhe entregou o alvará de soltura. Questionado por Moro se seu advogado não sabia da soltura, uma vez que a decisão constava no processo, ele negou. “Eu estava preso, meu advogado estava me acompanhando no depoimento. Quem sabia da decisão era a Polícia Federal e esse fato me foi omitido”, disse.

Admitindo que foi enviado por Argello para receber uma doação de 200 mil euros do empresário e lobista Júlio Camargo, Roxo negou o que havia afirmado no depoimento anterior, que, ao entregar o dinheiro a Argello teria reclamado de ter sido colocado em tal situação, de receber doações ilegais. “A queixa que fiz, foi quanto a minha integridade física, por estar transportando dinheiro em espécie”, disse. Questionado por Moro se, então, ele não se constrangia em transportar dinheiro ilegal, ele disse que, na sua opinião, ele estava buscando doação legal, com recibos e registrada na Justiça Eleitoral. “Mas receber em moeda estrangeira e em espécie é legal?”, replicou Moro. Ramos disse desconhecer a legislação.

Roxo ainda se declarou inocente no processo. Disse que foi coordenador de comunicação da campanha para o governo do Distrito Federal de 2014 e que apenas foi enviado por Argello para explicar como as doações que o então senador havia negociado com empreiteiros seriam aplicadas e para receber esse pagamento, que ele considera legal, de Júlio Camargo.