Sem citar Eduardo Bolsonaro, Mourão defende relação com a China

Ricardo Della Coletta - Folhapress

mourão

Sem mencionar o recente choque entre o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e a embaixada da China, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) defendeu nesta quinta-feira (26) a relação bilateral entre Brasil e o gigante asiático e lembrou que, mesmo com a pandemia de Covid-19, as exportações brasileiras ao país devem bater recorde em 2020.

 

“A China é nosso maior parceiro comercial desde 2009. A crise mundial gerada pela pandemia do Covid-19 não alterou esse quadro, ao contrário: as autoridades chinesas estimam que a importação de produtos brasileiros baterá recorde em 2020, contrastando com o contexto de desaceleração generalizada do comércio internacional”, disse Mourão, na abertura de um seminário do Conselho Empresarial Brasil-China.

 

“A complementaridade entre as economias de Brasil e China oferece bases sólidas para expandir e diversificar a relação nos mais diferentes setores”, complementou.

A fala do vice ocorre poucos dias depois de trocas públicas de críticas entre Eduardo – filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara- e a missão diplomática chinesa no Brasil.

Leilão sem espionagem

O deputado destacou em suas redes sociais na noite de segunda (23) que o Brasil endossou iniciativa dos Estados Unidos para manter a segurança da tecnologia 5G -cujo leilão deve ser no início do ano- “sem espionagem da China”.

“O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”, escreveu.

 

“Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China”, completou o deputado.

No dia seguinte, o parlamentar apagou a postagem. Ainda assim, a embaixada chinesa no Brasil respondeu e defendeu que Eduardo e outros críticos do país asiático deveriam abandonar a retórica da extrema-direita norte-americana, para evitar “consequências negativas”.

 

A embaixada disse que o deputado acusou a China de fazer espionagem cibernética e ressaltou que ele defendeu iniciativa que discrimina a tecnologia de 5G chinesa.

“Tais declarações infundadas não são condignas com o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados”, afirmou a representação diplomática.

A participação de Mourão no evento do Conselho Empresarial Brasil-China estava agendado desde antes do confronto entre o parlamentar e a embaixada chinesa.

Contraponto à retórica anti-China

Mourão preside a Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação) e tem tentado se colocar como um contraponto à retórica anti-China adotada pelo presidente Jair Bolsonaro e por expoentes da ala ideológica do governo.

Para defender o potencial da relação bilateral, Mourão citou o recente pacto comercial celebrado entre a China e países da Ásia e da Oceania, num dos maiores acordos do tipo da história.

 

“Ao longo dos últimos vinte anos, observamos um crescimento exponencial dos vínculos entre nossos países, sustentados por uma complementariedade espontânea, que levou nosso agronegócio a atingir patamares incomparáveis de produtividade e tecnologia”, disse o vice.

 

Mesmo com a crise do coronavírus, as exportações brasileiras para a China aumentaram neste ano, num movimento puxado pelo agronegócio. Entre janeiro e outubro de 2019, as vendas para o país asiático somaram US$ 52,6 bilhões, valor que subiu para US$ 58,4 bilhões no mesmo período de 2020.

 

Ao chegar na vice-presidência nesta quinta, Mourão foi questionado se as declarações de Eduardo prejudicam a relação. Ele minimizou o episódio. “Exatamente o que você falou, [é] declaração, nada mais do que isso. Estamos trabalhando de forma objetiva, entrando em contato com nossa contraparte da China. Então isso aí, a gente segue nosso trabalho normal aqui no governo”, disse. Sobre o fato de Eduardo presidir a Comissão de Relações Exteriores na Câmara, Mourão disse que o órgão não faz parte do governo. “Comissão de Relações Exteriores não é governo, é comissão parlamentar. Tem outras atribuições diferentes do que o governo faz”.

 

 

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