Política
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Senado aprova reconhecimento do Holodomor como genocídio contra ucranianos

Além do Brasil, ao menos 16 países já reconheceram o Holodomor como um genocídio, entre eles os Estados Unidos e Portugal.

Redação - 27 de abril de 2022, 11:57

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O plenário do Senado aprovou, na noite desta terça-feira (26), o projeto do senador Alvaro Dias que tem a finalidade de instituir em lei o reconhecimento oficial, pelo Brasil, do genocídio de ucranianos por meio da fome, o Holodomor. O projeto determina ainda o quarto sábado de novembro como Dia de Memória do Holodomor no Brasil. A matéria segue agora para análise na Câmara dos Deputados.

O cenário de guerra vivido atualmente pela Ucrânia tem causado comoção em todo o mundo.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, manifestou seu repúdio à invasão da Ucrânia pela Rússia. Para ele, trata-se de uma situação triste para o mundo inteiro e que deve ser condenada sem omissão nem ambiguidade.

"Desde o primeiro momento, condenamos essa invasão, condenamos essa guerra e a repudiamos fortemente, e nos solidarizamos com o povo ucraniano. Nos limites de nossas possibilidades, enquanto Senado Federal e Congresso Nacional, estaremos do lado do povo ucraniano", disse Pacheco.

O líder do Podemos, Alvaro Dias, reconhece a importância da solidariedade e do respeito dos brasileiros com a Ucrânia neste momento de profunda dor e de dificuldades. “É um momento de solidariedade à Ucrânia e ao seu povo. Os golpes contra o coração de uma nação nos levam à responsabilidade da solidariedade. É um grito de indignação diante da violência, do desrespeito aos direitos humanos, da insensibilidade gritante que comete crimes contra a humanidade”, afirmou o senador.

Alvaro Dias lembrou que, em 2008, esteve na Ucrânia a convite do embaixador ucraniano no Brasil, e presenciou um ato de grande emoção. “Sob chuva e muito frio, a homenagem póstuma àqueles que foram vítimas da matança pela fome que se denominou Holodomor. Depois daquela emocionante solenidade, não esquecemos jamais do que vimos: 45 nações presentes a um ato de solidariedade internacional. O Brasil não estava presente, mas o Senado sim. Entendemos então que seria necessária uma posição oficial do nosso país em relação a esse tema”, recordou.

Alvaro Dias ressaltou ainda que, no Brasil, vivem mais de 600 mil descendentes de ucranianos, sendo cerca de 80% deles no Paraná. “A nossa solidariedade a essa gente que contribuiu de forma extraordinária para alcançarmos uma identidade própria, com uma contribuição histórica que não podemos ignorar”, acrescentou o parlamentar, destacando a importância de se colocar o Brasil “na seleção daqueles países que, entendendo a importância desse gesto, também reconhecem como genocídio o Holodomor”.

Ao menos 16 países já reconheceram o Holodomor como um genocídio. Entre as nações que já oficializaram a data, estão Estados Unidos, Portugal, México, Canadá e Austrália.