Separatistas obtêm maioria na Catalunha e podem dificultar formação de governo

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress

Barcelona, na catalunha

Partidos pró-independência da Catalunha consolidaram sua maioria no parlamento regional na eleição deste domingo, chegando a cerca de 51% dos votos (com 99,5% dos votos apurados). Foi a primeira vez que siglas separatistas ultrapassaram os 50%.

Uma das regiões mais ricas da Espanha, a Catalunha viveu uma das mais sérias crises políticas em 2017, quando um plebiscito separatista obteve 90,09% dos votos favoráveis à separação do território, em um dia marcado pela violência policial.

A vitória do movimento pró-independência, no entanto, não foi reconhecida, o plebiscito foi declarado ilegal e, dois anos depois, líderes separatistas foram condenados por sedição pela Justiça espanhola. A região de 7,5 milhões de habitantes, cuja principal cidade é Barcelona, teve sua autonomia suspensa por quase sete meses pelo governo central de Madri.

Apesar do avanço dos separatistas na eleição deste domingo, o Partido Socialista Catalão (PSC) – contrário à independência- obteve o maior número de votos (23%), o que lhe rendeu 33 das 135 cadeiras, quase o dobro dos 17 anteriores. O candidato do partido à presidência catalã é Salvador Illa, ex-ministro da Saúde que deixou a linha de frente de combate à pandemia para concorrer às eleições.

O desempenho pode indicar maiores chances de um diálogo com o governo federal, mas as chances de Illa de formar um governo podem ser prejudicadas pelo controle do parlamento pelos separatistas. Durante a campanha, os partidos pró-independência excluíram a possibilidade de apoiar o PSC em uma nova administração.

A Esquerda Republicana Catalã (ERC) terminou o pleito como a principal força pró-independência, com 21% dos votos e 33 cadeiras, seguida pelo Juntos pela Catalunha (JxCat) – que deve obter 32 assentos. Com as 9 cadeiras da Candidatura da Unidade Popular (CUP), de esquerda, eles chegam a 54% dos deputados regionais. Na manhã desta segunda (15), líderes separatistas falaram em uma nova consulta popular sobre a independência catalã.

As eleições foram marcadas pela pandemia de Covid-19, que levou a uma forte abstenção. Votaram cerca de 53% dos eleitores registrados, contra um comparecimento de 79% na eleição de 2017. Analistas acreditam que a preocupação com o coronavírus pode ter favorecido os partidos separatistas, cuja mobilização era mais forte.

O partido de direita radical Vox terá pela primeira vez representantes do parlamento catalão, com 11 cadeiras, o quarto maior número de deputados.

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