Sérgio Cabral assina delação premiada com a PF e implica ministros do STJ, diz jornal

Redação

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O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB/RJ) assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Por implicar pessoas com foro privilegiado, entre elas ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o material será analisado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e só terá validade se receber a chancela do ministro Edson Fachin. Negado pela força-tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro, o acordo prevê a devolução de R$ 380 milhões. As informações são do jornal O Globo.

Condenado 12 vezes pela Justiça, com penas que somam 267 anos de prisão, Cabral teria tentado negociar primeiramente com o MPF (Ministério Público Federal). Sem sucesso, o ex-governador do Rio de Janeiro passou a negociar com a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal. De acordo com O Globo, o acordo de delação premiada chegou ao STF em novembro.

Ainda conforme o jornal, a defesa de Sérgio Cabral pediu para que o acordo fosse analisado por Fachin. O relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal pediu a opinião do do procurador-geral da República, que se manifestou de forma contrária ao acordo.

De acordo com Augusto Aras, o ex-governador do Rio de Janeiro pode ser considerado o líder da organização criminosa. Por isso, ele não poderia se beneficiar de um acordo porque é justamente o principal alvo deste núcleo. Conforme o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), nestes termos, a delação de Sérgio Cabral não cumpre os requisitos legais.

DELAÇÃO DE SÉRGIO CABRAL IMPLICA POLÍTICOS E STJ

De acordo com a apuração do jornal O Globo, Cabral negociou o acordo de delação premiada por aproximadamente dois meses.

Diz o jornal que o ex-governador implicou dezenas de políticos que se beneficiaram dos esquemas de corrupção operados no Rio de Janeiro durante os mandatos do ex-chefe do Executivo. Além disso, também chamou a atenção da Polícia Federal a citação a membros do Poder Judiciário.

Durante as negociações do acordo de delação premiada, Sérgio Cabral teria detalhado a relação que mantinha com ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Conforme O Globo, o político também tem informações sobre o processo de indicação de alguns ministros aos seus atuais cargos. Os nomes continuam em sigilo.

Rodolfo Buhrer/Paraná Portal

EX-GOVERNADOR COLECIONA CONDENAÇÕES

Ainda de acordo com o jornal, o ex-governador não teria apresentado provas documentais robustas. No entanto, os depoimentos do político seriam suficientes para abrir novas frentes de investigação para a força-tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro.

Denunciado 30 vezes pelo MPF, Sérgio Cabral responde a dezenas de ações penais. O político já foi condenado 12 vezes na Lava Jato. As penas dele superam os 267 anos de prisão.

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