Servidores não aceitam proposta do Governo e vão continuar em greve

Fernando Garcel e Francielly Azevedo


A greve dos servidores públicos deve continuar após a proposta apresentada pelo governador Ratinho Junior em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3). O plano do Governo do Paraná é pagar 0,5% de reposição em outubro e 4,5% parcelado em três anos condicionados ao crescimento da receita corrente líquida em 2021 e 2022.

Ratinho Junior anuncia reajuste parcelado aos servidores e concursos públicos

Segundo a presidente do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes, a proposta é uma ilusão. “Quando ele condiciona um reajuste de 1,5% para o próximo ano dependendo do crescimento de receita de 6,5% e 7% nós sabemos que não vai acontecer. Porque todo ano a gente bate na porta deste Palácio falando isso. Esse ano colocamos os 4,94% porque sabíamos que a receita não cresceria. Isso, é uma vergonha”, afirma Marlei.

Segundo ela, a proposta de reajuste parcelado não leva em conta a defasagem acumulada nos últimos anos e a previsão das perdas acumuladas pela inflação nos próximos anos. A proposta do Governo também impõe condições para ser dado o reajuste aos servidores. Uma delas é o fim da licença prêmio. As licenças já adquiridas serão preservadas, por isso o Estado vai criar um programa para indenizar ou assegurar quem já tem o direito adquirido.

“E a data-base do ano que vem? Ele não fala nada. Nós vamos aceitar 4,5% em quatro anos? Ano que vem tem nova inflação, o outro ano também. Nada disso está explicado. Então não é possível uma suspensão de greve se você não tem uma proposta exequível e que retira mais direitos”.

Agora, os servidores pretendem ampliar as discussões com deputados e continuam em busca de uma mesa de negociação com o governador. 

“Nós vamos tentar conversar com os deputados e intensificar a greve. A greve já está grande, novas categorias entraram em greve ontem. Nós vamos intensificar a greve, nós vamos lutar, porque os servidores estão dispostos a intensificar a luta. Nós estamos dispostos a qualquer debate, desde que as propostas não retirem direitos, isso é inaceitável”, frisou Marlei.

SEGURANÇA PÚBLICA

Após a divulgação da proposta, a Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) emitiu uma nova e convocou coletiva de imprensa marcada para esta quarta-feira. “Diante da proposta de reposição salarial dos servidores públicos do estado, apresentada pelo governador do estado, Ratinho Junior, e compreendendo que estão exauridas as tentativas de negociação direta com governo, a Associação dos Delegados de Polícia do Paraná em conjunto com o Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná, convoca toda a imprensa para uma entrevista coletiva as 15h desta quarta-feira, dia 3 de julho de 2019”, diz.

Associações ligadas a policiais militares também se manifestaram. Em nota, o Coronel Washington, presidente da Associação da Vila Militar, maior associação da Polícia Militar do Paraná, declarou que a proposta é “indecorosa”e “ridícula”.

“Depois de meses e inúmeras reuniões com a estrutura do estado esperávamos reconhecimento por parte do estado. Salientando que a greve do funcionalismo somente não “decolou ainda” em virtude das associações das polícias terem dado um voto de confiança e ampliado o prazo para a divulgação dessa ridícula proposta. Mas, infelizmente, novamente acreditando na boa vontade do governo fomos traídos e agora é hora de nos reorganizarmos e vermos as ações que serão desencadeadas pelas associações. […] Ordeiramente e dentro da lei, respeitando as autoridades constituídas seguimos até aqui, porém não tivemos a mesma consideração por parte do estado […] vamos nos reagrupar; vamos nos reorganizarmos; vamos definir novas estratégias e vamos à luta para que tenhamos nossos direitos reconhecidos”, diz a nota.

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