Política
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STF adia julgamento de denúncia contra Gleisi Hoffmann na Lava Jato

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, adiou o julgamento da denúncia apresentada na Operação Lava Jato..

Andreza Rossini - 26 de agosto de 2016, 15:54

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, adiou o julgamento da denúncia apresentada na Operação Lava Jato contra a senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela e ex-ministro Paulo Bernardo, que estava marcada para a próxima terça-feira (30). Ainda não há uma nova data para o parecer.

O relator da Lava Jato no STF entendeu que a análise da denúncia não pode acontecer enquanto ela atua no Senado, no julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Gleisi tem o direito de acompanhar o julgamento de questões contra ela garantido por lei e não poderia conciliar com a atuação no Congresso.  Zavascki aponta que a defesa pode apontar alguma nulidade no processo, caso o julgamento ocorra agora. O presidente da Segunda Turma, Gilmar Mendes, foi consultado e concordou em marcar uma nova data.

O casal é suspeito de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.  Em maio, Gleisi e Bernardo foram denunciados ao Supremo sob a acusação de terem recebido R$ 1 milhão para campanha da senadora em 2010. De acordo com depoimentos de delatores na Operação Lava Jato, o valor é oriundo de desvios de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef.

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Na manifestação enviada ao Supremo, a Procuradoria Geral da República (PGR) sustenta que há provas evidentes dos crimes. “Há se reiterar que, segundo compreensão do MPF, há evidentes e hígidos elementos concretos para o recebimento da denúncia – que não deixam de existir diante das versões narradas nas respostas à acusação sob exame”, diz a PGR.

Os ministros vão decidir se transformam ou não a senadora e o marido em réus na Operação, com base na denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, em maio.

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Em documento encaminhado ao Supremo, a defesa da senadora diz que as acusações são “meras conjecturas feitas às pressas” em função de acordos de delação premiada. “A requerida jamais praticou qualquer ato que pudesse ser caracterizado como ato ilícito, especialmente no bojo do pleito eleitoral ao Senado Federal no ano de 2010, na medida em que todas as suas contas de campanha foram declaradas e integralmente aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

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