Em despedida do Ministério da Saúde, Teich exalta importância de estados e municípios

Angelo Sfair

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Em breve discurso de despedida, o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, ressaltou a importância de estados e municípios no combate à pandemia do coronavírus. O oncologista agradeceu o convite de Jair Bolsonaro e não detalhou o que motivou o pedido de demissão.

Curto como a passagem apenas 28 dias pela pasta, o pronunciamento durou pouco mais de seis minutos. Teich mencionou que deixa um plano de trabalho pronto para que estados e municípios entendam o que está acontecendo e tenham uma base para as próximas tomadas de decisão.

“Ele auxilia no entendimento dos pontos críticos”, resumiu o ex-ministro. O médico também mencionou brevemente a necessidade de usar os exames e testes rápidos para ampliar o conhecimento sobre a pandemia do coronavírus.

“Foi construído um programa de testagem que está pronto para ser implantado”, anunciou. “Isso vai ser importante para que a gente entenda a situação da Covid-19 no Brasil e sua evolução”.

TEICH AGRADECE BOLSONARO

Na despedida do Ministério da Saúde, Nelson Teich agradeceu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo convite. Ele não detalhou o conteúdo da última reunião, que aconteceu na manhã desta sexta-feira (15).

“Seria muito ruim para a minha carreira não ter essa passagem e oportunidade de conduzir o SUS”, disse. O oncologista explicou que toda a formação acadêmica e profissional se deu em escolas, universidades e hospitais público.

Posteriormente, explicou que não aceitou o convite pelo cargo. “Aceitei porque achei que poderia contribuir”, concluiu, antes de ser aplaudido pelos servidores do Ministério da Saúde.

ESCOLHAS

“A vida é feita de escolhas. E eu escolhi sair”. Nelson Teich abriu dessa forma o breve pronunciamento que decreta o capítulo final de sua passagem pelo Ministério da Saúde. Foram apenas 28 dias à frente do cargo.

O oncologista foi o escolhido de Jair Bolsonaro para substituir Luiz Henrique Mandetta. Ao contrário de Teich, Mandetta deixou o governo após um duro embate com o presidente da República.

O chefe do Executivo e o então chefe do Ministério da Saúde trocaram farpas por meio de manchetes e declarações públicas que deixavam evidente a dissonância entre os discursos. Mandetta repetia insistentemente a necessidade de manter o isolamento social e respeitar o conhecimento científico. Bolsonaro remava na direção contrária.

A escolha de Nelson Teich veio acompanhada da expectativa de um discurso alinhado entre governo e Ministério da Saúde. Na prática, isso não aconteceu. O substituto de Mandetta manteve o discurso de que era necessário manter o isolamento social. E rechaçou o uso de remédios sem a eficácia cientificamente comprovada, como a hidroxicloroquina.

“Dei o melhor de mim nesse período”, afirmou, em tom frustrado. “Não é uma coisa simples estar a frente de um Ministério como esse, ainda mais em um período como esse”.

Nelson Teich garantiu que sempre recebeu o apoio de todos os servidores do Ministério da Saúde. “Agradeço meu time que sempre esteve ao meu lado. Sempre. Tenho a honra e o prazer de ter trabalhado ao lado desse time”.

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