Temer diz que é vítima de perseguição criminosa disfarçada de investigação

Talita Fernandes - Folhapress

O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (27) ser vítima de perseguição criminosa disfarçada de investigação. A declaração foi feita em resposta à reportagem publicada pela Folha de S.Paulo que mostra que a Polícia Federal suspeita que Temer tenha lavado dinheiro de propina.
A principal suspeita da PF é de que o presidente tenha lavado esse dinheiro no pagamento de reformas em casas de familiares e dissimulado transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens.
Marcela Temer, sua mulher, e o filho do casal são donos de alguns desses imóveis.
O emedebista chamou de última hora um pronunciamento para se defender das acusações apontadas pela PF.
Ao fim de sua fala, que durou 13 minutos, ele disse que vai sugerir ao ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) que determine a investigação do vazamento das informações.
Temer disse ainda que as investigações têm como propósito um ataque moral.
“É contra a minha honra e pior ainda. São mentiras que atingem minha família e meu filho que tem 9 anos de idade”, disse.
Ele é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) em um inquérito sobre a edição de um decreto para o setor portuário.

Inquérito

Na quinta (26), a PF enviou ao Supremo um pedido de prorrogação do prazo do inquérito, por mais 60 dias.
Até agora, a investigação aponta que o presidente recebeu, por meio do coronel João Baptista de Lima Fillho, ao menos R$ 2 milhões de propina em 2014.
Neste mesmo ano, quando Temer foi reeleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, duas reformas foram feitas, em valores semelhantes, em propriedades de familiares do emedebista, da filha Maristela Temer e da sogra, Norma Tedeschi.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, um dos fornecedores da reforma de Maristela afirmou ter recebido em dinheiro vivo pagamentos pelos produtos, todos das mãos de Maria Rita Fratezi, mulher do coronel Lima.
Nesta segunda fase, o objetivo dos investigadores é aprofundar a conexão entre os serviços prestados aos familiares de Temer e concluir a análise de material apreendido com alvos da operação Skala, deflagrada no fim de março.
O depoimento de outro amigo de Temer, José Yunes, também está sendo considerado importante. Ele disse à PF que um dos imóveis vendidos por ele a Temer foi doado ao filho do presidente três ou quatro anos atrás. Afirmou também que a casa que vendeu a Marcela foi paga com valores que pertenciam ao presidente.
Além do inquérito que trata dos portos, Temer é alvo de duas denúncias por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Mas as acusações estão suspensas até que seja encerrado seu mandato, no fim deste ano.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook