Temer não encontra ministro do Paraná para salvar foro de Rocha Loures

Narley Resende


Deputados paranaenses do PMDB que podem ser nomeados ministros para salvar o foro privilegiado de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor presidencial que ocupava o mandato de deputado como suplente desde março, não estão alinhados ao governo de Michel Temer.

Dois dias após a demissão do Ministério da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR) recusou o convite para comandar o Ministério da Transparência e decidiu voltar ao mandato de deputado.

“Procurei dignificar a confiança que em mim depositou. Volto para a Câmara dos Deputados, onde prosseguirei meu trabalho em prol do Brasil que queremos”, justificou, em nota.

A decisão desagradou Temer, porque retirou o foro privilegiado de Rocha Loures.

Temer acionou o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), para que encontre na bancada do partido um nome do Paraná disposto a assumir o Ministério da Transparência e, assim, manter o benefício de só ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e só poder ser preso com autorização da Câmara a Rocha Loures – afastado do mandato após ter sido flagrado com uma mala com R$ 500 mil recebidas pelo ex-diretor da JBS Ricardo Saud, num restaurante em São Paulo.

Até que ache uma indicação, Temer manterá o secretário-executivo, Wagner Rosário, respondendo como ministro interino da Transparência.

Surgiram três nomes cotados, mas nenhum apontado como unanimidade: Hermes Parcianello, João Arruda e Sérgio Souza.

Deputados negam

João Arruda está no segundo mandato. Teve um assessor citado nas investigações da operação Carne Fraca. É sobrinho do senador Roberto Requião, contrário ao governo Michel Temer.  Arruda mantém uma posição de independência do governo. Arruda disse ao site Poder360 que é “impossível” assumir um ministério. E, que acha difícil que outro deputado do PMDB do Paraná aceite a tarefa.

“Neste momento, você não estaria aceitando um ministério, para ser ministro, para desenvolver atividades. Estaria aceitando só para dar foro privilegiado. Acho muito difícil alguém aceitar”, disse ele.

Sérgio Souza está no primeiro mandato. É presidente da Comissão de Agricultura. Teve o nome citado pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, apontado pela PF como chefe do esquema investigado pela operação Carne Fraca.

Souza disse que não pode se afastar de suas funções no Congresso agora. “Eu tenho minhas atividades aqui. Sou presidente da Comissão de Agricultura, por exemplo. Não tem qualquer chance de sair agora”, disse.

Parcianello está no sexto mandato, foi presidente da CPI dos Direitos Autorais. É conhecido pelo apelido de Frangão. Ele é do grupo político de Requião no Paraná, crítico ao governo Temer.

Processo de cassação

Rocha Loures é alvo de processo de cassação de mandato no Conselho de Ética. A Secretaria-Geral da Mesa da Câmara ainda irá decidir se a ação será arquivada ou mantida mesmo com o deputado fora do cargo.

Posse

Ex-ministro da Transparência, Torquato Jardim toma posse como novo ministro da Justiça hoje em cerimônia no Palácio do Planalto.

Com informações do Metro Jornal

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