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Temer pede suspensão de inquérito por suspeita de edição em áudio

Em pronunciamento na tarde deste sábado, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), anunciou que sua defesa protoco..

Roger Pereira - 20 de maio de 2017, 15:13

Em pronunciamento na tarde deste sábado, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), anunciou que sua defesa protocolou no Supremo Tribunal Federal petição para que o inquérito aberto contra ele após a delação do empresário Joesley Batista, da JBS, seja suspenso até que uma perícia seja feita na gravação de conversas de Temer com Joesley entregue como prova no processo. Segundo o presidente, já há indícios de que a gravação foi editada. “Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos Incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil”, disse presidente.

Temer usou grande parte de seu pronunciamento para atacar o delator Joesley Batista, afirmando ser o sócio da JBS o grande criminoso no caso e criticando o fato de ele estar solto, morando nos Estados Unidos. “Ele não passou nenhum dia na cadeia, não foi preso, julgado ou punido e, pelo jeito, não será. Cometeu o crime perfeito”, disse Temer, acusando o empresário de crime econômico.

“Graças a essa gravação manipulada, especulou contra a moeda nacional. A notícia foi vazada ao grupo empresarial que, antes de divulgada a gravação, comprou um bilhão de dólares, porque sabia que isso causaria coas no câmbio. Também sabendo que a divulgação também causaria desvalorização das ações de sua empresa, as vendeu antes da queda da bolsa. A JBS lucrou milhões de dólares nas últimas 24 horas”, lembrou. “Esse senhor que teve empréstimos bilionários para alavancar seus negócios, prejudicou o Brasil, enganou o brasileiro e agora mora nos EUA”.

Defesa

Sobre o conteúdo dos áudios, Temer disse não haver na gravação, “mesmo que adulterada”, qualquer afirmação sua que indica consentimento com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). “Ele diz que está de bem com o Eduardo e é para isso que respondo ‘mantenha isso’”, diz o presidente. “Não existe isso na gravação, mesmo adulterada, porque nunca comprei o silêncio de ninguém não obstruí a justiça e nunca interferi no Judiciário”, acrescentou. “O que está no áudio mostra que ele estava insatisfeito com meu governo: reclamação contra ministro da fazenda, contra o Cade e o BNDES, prova cabal de que meu governo não estava aberto a ele”, concluiu.