Política
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TJ aponta abuso de poder e suspende investigação sobre sumiço de obras de arte

A juíza Cristiane Santos Leite, do Tribunal de Justiça do Paraná, aceitou o recurso do candidato à prefeitura de Curitib..

Fernando Garcel - 28 de setembro de 2016, 17:28

A juíza Cristiane Santos Leite, do Tribunal de Justiça do Paraná, aceitou o recurso do candidato à prefeitura de Curitiba Rafael Greca (PMN) e suspendeu a sindicância da Prefeitura e da Fundação Cultural de Curitiba, nesta quarta-feira (28).

Na decisão, a magistrada aponta o uso da Guarda Municipal como "abuso de poder" do candidato à reeleição Gustavo Fruet (PDT) que causou constrangimento "no processo eleitoral em curso , nota-se uma verossimilhança muito grande entre os lavatórios, havendo possibilidade de se tratar da mesma peça. A análise é eminentemente técnica. Para a conclusão foram comparadas proporções por escalonamento, seus contornos e direções dos detalhes decorativos, que se pode notar por instrumento óptico de observação, lente de aumento, levando em consideração a qualidade das imagens analisadas”.

O laudo de perícia técnica também afirma que as características apontadas autorizam concluir que o lavatório é um “objeto peculiar, incomum e até mesmo raro. Em relação aos dois móveis, a conclusão da perícia não deixa nenhuma dúvida”. Sobre o étagère: “Diante de tantas características, os indícios e evidências levam a crer que se trata do mesmo móvel, observando o período de fabricação do móvel e seu estilo artístico, seus puxadores e principalmente sua ornamentação tão característica”.

Sobre o lavatório de quarto: “O detalhe em mármore claro é notavelmente similar ao da imagem do grupo A descrita nos documentos fornecidos pela Fundação Cultural de Curitiba e com matrícula da Prefeitura Municipal de Curitiba número 08317, o que traz evidências notórias de se tratar da mesma peça entre as imagens aqui observadas”.

Eleições

Greca foi intimado a depor na Sindicância na tarde da última terça-feira. Não compareceu e enviou apenas seu advogado.

Segundo o advogado advogado Walber Agra, a questão poderia ser ‘levada a cabo’ depois das eleições e Greca prestaria esclarecimentos caso fosse necessário. “Como bens que foram supostamente furtados há mais de 15 anos e que estariam na chácara de Greca viram objeto disto a 10 dias da eleição?”.

Em nota, Rafael Greca diz que `considera o procedimento um abuso de autoridade com fins eleitoreiros’. Ele reiterou que todos os bens de sua propriedade são legado de sua família e os mais expressivos estão declarados no seu Imposto de Renda, apresentado no Tribunal Regional Eleitoral.