Trocas em ministérios garantem foro a Rocha Loures

Narley Resende


Tabata Viapiana, CBN Curitiba

Em pleno domingo, o presidente Michel Temer (PMDB) decidiu trocar o Ministro da Justiça. Ele demitiu o deputado paranaense Osmar Serraglio, do PMDB, que ficou menos de três meses no cargo. Quem assume a pasta é Torquato Jardim, que estava à frente do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União. Mas Serraglio não deve retornar para a Câmara dos Deputados. Temer deve nomeá-lo para o lugar de Jardim, mantendo Serraglio no alto escalão do Governo, mas no Ministério da Transparência.

A manobra evita que Rodrigo Rocha Loures, antigo assessor direto e apontado como pessoa de confiança do presidente, perca o mandato de deputado e o foro privilegiado. Rocha Loures era apenas suplente e só assumiu uma cadeira na Câmara no dia 08 de março, quando Serraglio se tornou ministro. Antes de assumir o mandato, Rocha Loures trabalhava no gabinete de Temer.

Se Osmar Serraglio voltasse para a Câmara, Rocha Loures perderia a cadeira, correndo o risco de ser investigado em primeira instância, por não ter foro privilegiado. Esse foi um dos motivos para o presidente manter Serraglio como ministro. Rocha Loures está afastado do cargo, mas continua recebendo salário de quase R$ 34 mil e com direito de ser investigado no Supremo Tribunal Federal.

O deputado foi citado nas delações premiadas da JBS como uma espécie de “intermediário” de Temer, indicado para resolver assuntos de interesse da empresa. Ele também foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil em propina. De acordo com executivos da JBS, o dinheiro seria destinado ao presidente Temer e coube a Rocha Loures apenas receber a mala com dinheiro.

Nos bastidores, o meio político também queria a saída de Serraglio do Ministério da Justiça. Muitos parlamentares diziam que ele não tinha pulso firme e cobravam mais interferência na Polícia Federal. Em Brasília, já circula a informação de que Torquato Jardim pode substituir o diretor-geral da PF, Leandro Daiello. A mudança na pasta já ligou sinal de alerta entre os investigadores da Lava Jato.

Em nota, a Associação dos Delegados da Polícia Federal, a ADPF, também demonstrou preocupação e disse que foi surpreendida com a notícia, por desconhecer qualquer proposta de Torquato Jardim para a pasta. Além disso, a ADPF cobrou autonomia para a Polícia Federal.

Edição: Narley Resende 

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