UFMG lança sistema que promete combater desinformação nas eleições

Fernando Garcel

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou um sistema que pretende combater a desinformação causada por fake news, perfis falsos e revelar campanhas nas redes sociais que prometem tumultuar as eleições de outubro deste ano.

Coordenado pelo professor Fabrício Benevenuto, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, o “Eleições sem Fake” identifica o conteúdo falso e os robôs, compara notícias e monitora os assuntos que estão em alta na internet. “A ideia do projeto nasceu no nosso grupo de Laboratório de Computação Social. O site contempla série de sistemas que possibilitam a jornalistas, analistas, cientistas políticos ou a outros interessados acessar dados de audiência de políticos, audiência e perfis de jornais e monitorar comportamentos suspeitos no Twitter e Facebook”, explica Benevenuto.

Especificamente para a propaganda política no Facebook, o especialista alerta para o uso da ferramenta de publicidade da rede social para a disseminação de informações falsas. O coordenador do projeto cita as eleições dos Estados Unidos para exemplificar o caso. “Se um grupo fizer uma propaganda desse tipo no Brasil, o Facebook não revela quem está pagando e quem está vendo essa propaganda. É uma caixa-preta”, alerta. “Pode haver caixa 2 através dessa plataforma. Ao invés de doar para a campanha, alguém pode usar o dinheiro para uma propaganda política direcionada para um grupo específico”, afirma.


Para lidar com esse problema, os cientistas desenvolveram um plug-in, que após instalado no navegador do usuário, vai monitorar todas as publicações de propaganda visualizadas no Facebook. A ideia é coletar as informações sobre os posts impulsionados e montar um banco de dados transparente sobre esse tipo de mídia durante as eleições de 2018. Porém, para que funcione, é necessário a colaboração dos internautas. “Para que nosso sistema seja abrangente precisamos que muitos voluntários instalem o plugin. Fazendo isso você estará ajudando nosso grupo a prover mais transparência para as eleições de 2018”, conta.

Entre as plataformas, os desenvolvedores criaram o sistema “Bot ou humano?” que monitora os assuntos mais comentados no Twitter. A ideia é verificar se as que estão em alta naquele momento foram compartilhadas de forma orgânica ou impulsionada com o uso de robôs. “O que pode acontecer é o uso de perfis falsos, com contas automatizadas, e isso espalha muito mais rápido ganhando visibilidade”, diz o coordenador.

O “Notícias Lado a Lado” compara a cobertura da imprensa e demais produtores de conteúdo a partir de um tema. Nele, o usuário consegue selecionar jornais e ver o que foi publicado nas redes sociais dos veículos. É possível verificar, por exemplo, tudo o que foi publicado sobre determinado candidato. “As vezes um jornal fala demais de um determinado tópico e do outro não fala nada. As vezes mostra a foto de um político sempre com a cara ruim e do outro sempre com a cara boa. A gente consegue perceber esse tipo de coisa e ver como está sendo a cobertura daquele jornal”, explica Benevenuto.

Todas as ferramentas estão disponíveis no site do Departamento de Ciência da Computação da UFMG.

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