Ulisses Maia quer Maringá com subsídio estadual no transporte coletivo nos moldes de Curitiba

Jorge de Sousa

vacina vencida Maringá

O Paraná Portal segue com a série de entrevistas com os prefeitos eleitos nos dez municípios com maior participação na economia do estado.

Os prefeitos eleitos em Araucária, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Paranaguá, Ponta Grossa, São José dos Pinhais e Toledo terão suas entrevistas divulgadas nas próximas semanas.

Após as metas estipuladas por Professora Elizabeth (PSD) em Ponta Grossa e Rafael Greca (DEM) em Curitiba, a terceira entrevista é com o prefeito reeleito de Maringá, Ulisses Maia (PSD).

Nas eleições municipais de 2020, Ulisses Maia conseguiu ser reeleito no primeiro turno, com 56,85% dos votos válidos, equivalentes a 103.010 votos.

Entre as principais metas para a gestão na Prefeitura Municipal, Ulisses Maia aponta conseguiu o subsídio do Governo do Paraná para o transporte coletivo de Maringá e Região Metropolitana, semelhante ao ofertado pelo Estado para Curitiba.

Confira abaixo a entrevista completa* com Ulisses Maia, prefeito eleito em Maringá na última eleição:

Uma das prioridades para a saúde pública em 2021 será a vacinação da população contra a Covid-19. Como o prefeito tem trabalhado nesse tema?

Na realidade a gente verificou que há um movimento que o Ministério da Saúde está fazendo em relação a viabilizar as vacinas para o Brasil. Também estamos acompanhando e já conversei com o governador Ratinho Junior também os movimentos do Governo do Estado em relação a isso.

O que eu fiz aqui em Maringá é tentar fazer a parte da cidade também, não ficar só esperando os nossos governos agirem. Nós fomos atrás. Entramos em contato com o Instituto Butantan e o Governo de São Paulo. O Instituto Butantan por uma questão muito simples, 70% das vacinas produzidas no Brasil são feitas no Instituto Butantan. É inquestionável a qualidade, o know how e a experiência do Butantan. Nós fizemos esse termo de convênio, esse protocolo de intenção de compra, falamos com o governador João Dória, que manifestou interesse, evidentemente, em também atender a nossa cidade.

Então nós estamos com essas três frentes. Esperando o Governo Federal, que eu tenho certeza que vai disponibilizar o mais rápido possível, pela manifestação do ministro da Saúde (Eduardo Pazuello) nos últimos dias, isso está bem avançado. A Anvisa vai liberar algumas vacinas, com certeza, e nós vamos tentar fazer a parte de Maringá.

Maringá é um município com uma saúde financeira muito boa, nós devemos fechar o ano com R$ 250 milhões de superávit. Um valor, em um ano muito difícil como esse, em que não aumentamos os impostos e nós aumentamos a arrecadação, é sinal que o município tem uma saúde financeira boa e a população espera que o seu prefeito faça as ações para garantir também que a vacina chegue.

Politizou muito esse tema. Tanto, quero deixar bem claro, quando procurei o Governo de São Paulo e o próprio governador João Dória, foi por conta do Instituto Butantan. Então não estou tratando de questões ideológicas, nem com o Governo de São Paulo e muito menos com a origem da empresa. Nós também enviamos expedientes para a Pfizer, para a Moderna, para a AstraZeneca, para várias multinacionais com o interesse de viabilizar a vacina.

Então estou tratando com uma questão de saúde pública e não política-ideológica.

Qual o planejamento para a retomada das aulas nas escolas municipais de Maringá?

Nós temos um calendário, que já foi discutido bastante junto ao Conselho Municipal de Educação, aos nossos professores e diretores de CMEI’s (Centro Municipal de Educação Infantil) e escolas. Nós temos uma previsão para retomada no dia 18 de fevereiro, a exemplo também do estado, inicialmente de maneira híbrida, de forma que vamos fazer um revezamento também: em um dia um grupo de alunos, outro dia outro grupo.

Praticamente os alunos terão aulas dias sim e dia não, com evidentemente com todos os protocolos que já aprovamos também: o distanciamento entre as crianças, uso da máscara, que o município vai disponibilizar, dispensário de álcool em gel de forma permanente e constante em todos os departamentos das escolas. Nós temos essa previsão e também nós vamos manter, em que pese a possibilidade da presença nas escolas, o trabalho remoto, caso aqueles pais não queiram levar as crianças.

Salvo alguma alteração no processo, essa é a previsão para nós fazemos nas escolas municipais e natural que as escolas particulares vão acabar seguindo esse mesmo processo, até porque as escolas particulares dependem de decretos do Governo do Estado que já manifestou também a possibilidade dentro dessas regras.

Em relação ao ensino universitário, o que a gente percebe é que exceto eventualmente pela qualidade do ensino, que pode ter sido prejudicada, mas os jovens que estão no ensino universitário não foram afetados porque tiveram aula online o período todo.

Então é possível que haja uma queda na qualidade, isso sem dúvida alguma, até porque as pessoas não estavam preparadas para esse estilo.

Não só os universitários, mas também na educação fundamental. Eu tenho filhos que estão no terceiro ano do ensino médio e outro que está no sétimo ano do fundamental, a gente percebe a diferença e a dificuldade.

A qualidade na educação em 2020, não tenho dúvida nenhuma, caiu muito no Brasil tudo. Um ano quase perdido na área educacional. No ano de 2021 nós temos que recuperar isso. A Prefeitura também está em um processo de fazer avaliação de cada aluno, não acontecerão as reprovações, nem tem como fazer, porém nós faremos a avaliação de cada aluno para saber como ele absorveu os ensinamentos ao longo de 2020 para verificar que tipo de trabalho terá que ser feito com ele em 2021. Espero que isso ocorra e acredito que ocorrerá nas escolas particulares e também nas universidades.

A Prefeitura de Maringá pretende aumentar impostos para recuperar os impactos financeiros da Covid-19?

Sem nenhum aumento de imposto, nós já aprovamos na Câmara para 2021 apenas a correção da inflação, que foi pelo IPCA de outubro, sem nenhuma correção de impostos. Nós também já aprovamos o Programa Juros Zero. Onde o município disponibiliza R$ 4 milhões para absorver os juros daqueles empréstimos que serão feitos em parceria com a Fomento Paraná e outras instituições bancárias, com regras, claro, para pessoa física, pequeno, micro e MEI.

Então existe esse programa, nós já temos R$ 4 milhões, inclusive esses R$ 4 milhões o município tem como devolução da Câmara. A Câmara Municipal ao longo deste ano teve uma economia de R$ 4 milhões e o presidente está devolvendo agora para o município e nós já reservamos para o fundo do Programa Juros Zero.

Fora isso, nós já no ano de 2020 fizemos algumas inserções de apoio à economia. Como por exemplo, nós colocamos R$ 3 milhões de aporte do município no Fundo Garantidor de Empréstimos, que é um fundo que tem por uma entidade sem fins lucrativos mantidas pela Associação Comercial do Paraná, chamada Noroeste Garantias, onde consegue empréstimos com juros abaixo dos juros de mercado e a garantia desses empréstimos é esse fundo quem dá. Então isso pode viabilizar também alguns milhões de recursos de financiamento para as empresas.

E Maringá tem se consolidado como polo de prestação de serviços, muito mais do que a indústria, diferente de outros cidades. Por conta disso, e levando em conta que prestação de serviço os polos são saúde, educação e T.I., nós não tivemos queda de arrecadação. Aliás, pelo ao contrário, nós vamos fechar o ano com aumento na arrecadação, onde que esse é um caso raro no Brasil, novamente repito sem nenhum aumento de imposto, apenas com eficiência na gestão nós conseguimos fechar 2020 com aumento de arrecadação. Só de superávit nós devemos ter entorno de R$ 250 milhões, algo que também é quase inacreditável, levando em conta a realidade dos municípios e dos governos brasileiros.

Então nós vamos manter essa perspectiva para 2021 e apoiar cada vez mais as nossas empresas também para que elas recuperem a sua economia.

Claro que toda região noroeste tem esse apelo do agronegócio, muito forte, muito intenso, mas Maringá ela está avançando mais como polo prestador de serviços na área da T.I., saúde e educação.

Na educação, por exemplo, nós temos mais de 10% da população universitária, dentro das nossas universidades, temos várias universidades privadas, inclusive uma das maiores do Brasil está em Maringá. Só no curso de Medicina, nós formamos 400 médicos por ano em Maringá. É algo assim muito diferenciado.

O setor de produção de software faturou quase R$ 1,5 bilhão neste ano de 2020. Então, esses são os polos que têm consolidado Maringá e atraído muitos recursos, garantindo muitos empregos, renda e além de tudo, como é prestação de serviços, o imposto é municipal, que é o ISS (Imposto Sobre Serviços), diferente de uma indústria, onde a pequena parte fica no município. A maior parte dos impostos das indústrias é do governo estadual e federal. Da mesma forma no comércio.

Mas também nós criamos na Reforma Administrativa para o ano que vem (2021) a Secretaria de Aceleração Econômica, onde nós queremos pegar as empresas que estão com dificuldade, principalmente por conta da pandemia, e trabalhar essas empresas no sentido de tentar acelerar o crescimento de volta dessas empresas, garantindo geração de emprego e renda.

Mesmo em crise econômica, quais investimentos o prefeito vê como essenciais para o início do próximo mandato?

Primeiro o município ele deve fechar os quatro anos com mais de R$ 600 milhões em investimentos. Só de investimentos nós saltamos da 35ª posição no Brasil para a 24ª. Nós estamos na frente de vários municípios.

Nós temos alguns investimentos previstos para o ano que vem (2021) muito importantes. Um deles é a conclusão do Hospital da Criança, uma obra de 22 mil metros quadrados, uma estrutura muito grande e que está praticamente pronta. Nós vamos concluir essa obra e colocar em funcionamento o Hospital da Criança.

Todo o tratamento de várias doenças, inclusive o câncer, de Maringá e todo o Noroeste do Paraná ele todo referenciado em Curitiba ou Londrina, nós não temos esse tratamento em Maringá. Então a partir do Hospital da Criança nós teremos.
O grande investimento que nós faremos é o Hospital da Criança e estamos iniciando a construção com recursos garantidos para o Hospital da Mulher também.

Nós vamos concluir a grande obra do Aeroporto, de reforma e ampliação do nosso Aeroporto. É uma obra de R$ 90 milhões que está transformando a nossa pista na maior do Paraná.
Nós temos obras espalhadas pela cidade inteira nas áreas do esporte e educação, de reforma de espaços urbanos e também de recape de vias e avenidas.

E uma grande obra que nós já fizemos o concurso nacional, já temos o projeto e previsão agora de iniciar licitação em 2021 que é do novo Eixo Monumental. Maringá tem um Eixo Monumental desde o seu planejamento, que vai da Catedral até o Estádio Willie Davids e nós vamos revitalizar todo esse eixo, um grande projeto urbanístico que já foi aprovado em um concurso nacional que nós fizemos, em um investimento próximo a R$ 50 milhões, que estão previstos para acontecer neste ano.

Nós fizemos muitos projetos ao longo dos quatro anos. Esses projetos concluíram, foram para os processos de licitação e agora nós estamos entrando na fase de execução. Eu poderia citar dezenas de obras que acontecerão já no início de 2021 que vai garantir a posição de Maringá na condição de investimentos.

Um dos principais motes em sua campanha eleitoral foi o fomento do empreendedorismo em Maringá? Como o prefeito pretende estabelecer essa meta?

São várias coisas, evidentemente. Uma delas é que já aprovamos na Câmara o Programa Juros Zero, que o município tem os R$ 4 milhões viabilizados pelas sobras da Câmara que vai pagar o imposto dos empréstimos do micro e pequenos empresários. Isso vai ser muito importante.

Nós criamos nessa reestruturação administrativa a Secretaria Municipal de Trabalho e Renda. Nessa Secretaria está toda a ação do micro empreendedor, nós instituímos a Casa do Empreendedor. Um amplo espaço com orientação, assessoramento e estímulo ao empreendedorismo.

Nós temos também na Reforma Administrativa a Secretaria de Aceleração Econômica que vai abranger toda a área do empreendedorismo.
Maringá é uma cidade que está em seu DNA o empreendedorismo. Então é estimular que isso continue acontecendo, aproveitando o potencial de nossas universidades, como disse mais de 10% da nossa população está dentro das universidades e onde temos condição de fazer incentivo e fazer preparar diversas ações em relação a isso.

Nós vamos trabalhar com a economia solidária, com investimentos na área do turismo, colocando apoio a feiras de artesanato e food-trucks e em uma série de outras ações que viabilizem e incentivem o empreendedorismo dentro da cidade.

Outro meta de sua campanha foi conseguir junto ao Governo do Paraná um subsídio para o transporte coletivo nos mesmos moldes de Curitiba. O prefeito acredita que sua proximidade com Ratinho Junior pode auxiliar nesse processo?

Ser do partido do governador é muito importante. Nós temos uma afinidade muito grande. O governador tem atendido todos os pedidos que estamos fazendo e tem vários compromissos para 2021 que o governador assumiu junto com a gente, como a conclusão do Hospital da Criança, recursos para os recapes, obras importantes como o grande trevo em frente ao Catuaí, que é uma obra muito esperada, a duplicação de Maringá e Iguaraçu, que também os recursos de R$ 250 milhões foram viabilizados pelo estado, além de uma série de outros investimentos que essa proximidade eu acredito que é sempre muito importante para o município.

Agora em relação ao subsídio do transporte coletivo do município, eu penso essa tem que ser uma política do estado para todos as regiões metropolitanas. Claro que eu estou trabalhando com Maringá, mas eu já falei e agora vamos retomar as tratativas com o prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, com o prefeito Marcelo Belinati de Londrina, Cascavel, Foz (do Iguaçu) e Guarapuava, que são as regiões metropolitanas que precisam do subsídio do Governo do Estado para o transporte coletivo se não vai acontecer o que está acontecendo.

O sistema está em colapso. Para manter o sistema a alternativa que resta aos municípios é aumentar a tarifa e se você aumentar a tarifa, você vai na contramão e afasta mais as pessoas do transporte coletivo. Então o único caminho para incentivar as pessoas a usarem o transporte coletivo é tarifa baixa, tarifa reduzida, que é o que nós estamos segurando aqui em Maringá quase dois anos de tarifa reduzida em R$ 4,30.

E o que precisa para isso, evidentemente é subsídio, recurso público da Prefeitura ou do Governo do Estado. Como Curitiba tem eu penso que nada mais justo que as outras regiões metropolitanas do Paraná também tenham esse recurso que Curitiba tem. Então vou trabalhar bastante para isso, já conversei algumas vezes com o governador e entendo que o estado também tem dificuldades financeiras, até porque são muitas demandas, mas essa é uma demanda que eu penso que para o estado é inevitável e eu tenho certeza que nossos prefeitos das cidades metropolitanas, nós vamos trabalhar em conjunto para viabilizar.

Na sua visão, o que fez com que a população de Maringá decidisse escolher a senhor como prefeito por mais quatro anos?

Acho que o modelo de administração totalmente diferente do que a cidade vinha tendo há muitos anos. Um sistema de administração aberto, participativo, do diálogo, acho que isso foi muito importante. Uma cidade sem dono, uma cidade feita para os maringaenses, inclusive na primeira campanha esse era o grande lema nosso, que íamos devolver a cidade para os maringaenses.

Ou seja, preparar a cidade que é uma cidade linda e maravilhosa, mas preparar para que ela seja linda e maravilhosa e com os serviços públicos de extrema qualidade para o cidadão. É para esse cidadão que ela tem que ser a melhor do Brasil.

Então acho que as pessoas perceberam essa mudança de visão, pensando em uma cidade para as pessoas, uma gestão humanizada e sem dúvida alguma, além dos investimentos que nós fizemos, colocando Maringá em superávit como fecharemos esse ano com R$ 250 milhões e nos quatro anos tivemos superávit, três anos com as contas aprovadas, o prefeito, vice-prefeito e os secretários sem nenhuma condenação.

Nenhuma ação civil pública proposta por improbidade administrativa. Transparência e ética acima de tudo, então acredito que isso foi fundamental.

*entrevista foi realizada no dia 23 de dezembro

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