Covid-19: Paraná avança em acordo para auxiliar estudos da vacina da Rússia

Angelo Sfair

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O Paraná e a Rússia firmaram nesta quarta-feira (12) um acordo preliminar para avançar nos estudos da Sputnik V, a vacina russa contra a Covid-19. O antígeno ainda está em fase de testes.

Posteriormente, o memorando pode abrir espaço para acordos de cooperação técnica de testagem e produção da vacina.

O acordo embrionário aproxima o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) com o Instituto Gamaleia de Moscou. O Paraná ainda não recebeu dados relacionados à segurança e eficácia da vacina russa.

“A ideia do memorando de entendimento é ampliar a cooperação e estabelecer uma parceria. Estamos avançando nas tratativas para transferência de tecnologia”, afirmou o governador Ratinho Junior (PSD).

De acordo com o Tecpar, uma força-tarefa será montada até a semana que vem para trabalhar no recebimento dos dados da Rússia. O instituto espera protocolar a intenção de pesquisa junto à Anvisa dentro de um prazo de 30 a 40 dias.

“Não vamos queimar etapas. O memorando não gera obrigações, mas uma nova construção, um entendimento de que podemos trabalhar juntos”, ponderou o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado.

Em coletiva de imprensa, na tarde desta quarta-feira (12), ele reconheceu que a ausência de informações sobre os testes conduzidos na Rússia é uma etapa a ser superada.

“O momento agora é  de focar na eficiência, na eficácia e na análise desses documentos, desses dados técnicos científicos que deverão chegar ao Brasil. Dependemos dessa aprovação para os outros encaminhamentos”, afirmou.

Participam da reunião final o governador do Paraná, Ratinho Junior, o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, o Fundo Soberano Russo, a Casa Civil do Paraná e o Tecpar, o Instituto de Tecnologia do Paraná.

VACINA RUSSA: DESCONFIANÇA INTERNACIONAL

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que não existem informações oficiais sobre a eficácia da vacina russa.

“As informações disponíveis que temos é de que a vacina ainda não estaria em fase 3, que é quando você faz um estudo com um grande número de pessoas”, disse a vice-diretora da OMS, Mariângela Batista Galvão Simão, ouvida na Assembleia Legislativa do Paraná.

Na manhã de ontem (11), a Rússia anunciou o registro da primeira vacina do mundo contra a Covid-19. A notícia foi recebida com desconfiança pela comidade científica internacional justamente pela falta de transparência na divulgação dos resultados.

“Existem muitas incertezas sobre quais vacinas vão se provar seguras. Chegar à fase 3 significa a progressão do estudo clínico, mas não quer dizer que vai funcionar. Só sabemos que uma vacina é eficaz quando os estudos são finalizados”, concluiu Mariângela Galvão.

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