Vamos ensinar os meninos a levar flores e abrir porta para as mulheres, diz Damares

Folhapress

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, defendeu nesta sexta-feira (8) que o governo adote ações nas escolas para ensinar meninos a levarem flores e abrirem a porta do carro para as mulheres.

“Enquanto nossos meninos acharem que menino é igual à menina, como pregou-se no passado algumas ideologias, já que a menina é igual, ela aguenta apanhar”, afirmou no Dia Internacional da Mulher. “Nós vamos dizer para eles que as meninas são iguais em oportunidade e direitos, mas diferentes fisicamente e precisam ser amadas.”

Ela defendeu que sejam adotadas ações nas escolas para “ensinar meninos a amar a respeitar as meninas no Brasil”.

“Vamos ensinar nossos meninos na escola a levar flores para as meninas, por que não? A abrir porta do carro para a mulher, por que não? A se reverenciar para a mulher, por que não? Não vamos estar dessa forma colocando a mulher em situação de fragilidade, mas elevar a mulher para um patamar de ser especial, pleno e extraordinário. E é isso que queremos fazer na escola.”

A declaração ocorreu durante evento em alusão ao Dia Internacional da Mulher e foi feita no momento em que ganha força a visão da data não como uma oportunidade de dar uma flor à mulher, mas de discutir questões como desigualdade de gênero.

Mais tarde, após críticas a suas falas, Damares disse no Twitter saber que medidas como dar flores e abrir a porta não resolvem o problema.

“É claro esse ato isolado não resolve o problema e tampouco é isso que proponho. Mas ensinar o respeito desde que todos são bem pequenos é fundamental. Precisamos resgatar valores que são caros à família”, escreveu.

No evento comemorativo, a ministra assinou um acordo de cooperação técnica com o ministro Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública, para tentar aumentar o uso de equipamentos como tornozeleiras eletrônicas e botão do pânico na prevenção de casos de violência doméstica.

Apesar da medida, a ministra defendeu que sejam buscadas outras iniciativas. “Vamos ver onde a rede de proteção está errando. Não adianta ter excelente delegacia para a mulher se a vara de proteção não está funcionando. Não adianta ter tornozeleira se a rede de proteção não está funcionando”, afirmou.

CAMPANHA COM PROFISSIONAIS DE BELEZA

Ainda no evento, o governo lançou a campanha “Salve uma mulher”, que visa orientar profissionais de beleza a identificarem sinais de violência contra as mulheres.

O maquiador Agustin Fernandez, que ficou conhecido por vídeos em apoio a Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, é parceiro no projeto. Em vídeo sobre a campanha, ele cita a divulgação de tutorias para que profissionais observem possíveis marcas de agressões.

Mais cedo, pouco antes da cerimônia, o governo fez um evento fechado para funcionárias do Palácio do Planalto em comemoração ao Dia da Mulher. Ambos os eventos indicam uma tentativa do governo de se afastar das críticas do público feminino sobre declarações misóginas feitas pelo dirigente.

Durante a vida parlamentar, Bolsonaro colecionou falas polêmicas envolvendo mulheres, como por exemplo ao afirmar que “deu uma fraquejada” ao ter uma filha caçula mulher, em referência a Laura, 10, que também é filha de Michelle.

“Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”, disse em 2017.

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