Vereador propõe que presos de colarinho branco limpem praças e escolas

Fernando Garcel

O trabalho de presos, que estão no sistema carcerário em Curitiba, na manutenção de placas, praças e escolas municipais foi discutido pelo vereador Bruno Pessuti (PSD) no fim da sessão plenária desta terça-feira (8).

O assunto do debate era a possibilidade de um convênio do município com o Governo do Paraná para que presidiários de bom comportamento pudessem trabalhar na manutenção dos equipamentos públicos em troca da redução de pena. “Marcelo Odebrecht [no tempo que esteve detido em Curitiba] poderia ter reduzido a sua pena fazendo limpeza das escolas”, exemplificou Pessuti.

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“Não seria bom que presidiários de bom comportamento, que não cometeram crimes de alta periculosidade, fossem trabalhar na limpeza urbana? Há exemplos de sobra no Brasil e no mundo. Hoje, ele custa de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês, para que fique dentro do presídio fazendo absolutamente nada”, disse. “A gente só pensa na imagem dos presídios superlotados”, continuou Bruno Pessuti, “mas temos também presos do colarinho branco, que poderiam estar limpando parques e praças. Muitos empreiteiros e milionários poderiam ser recuperados”.


Thiago Ferro (PSDB), Tito Zeglin (PDT) e Ezequias Barros (PRP) apoiaram abertamente a iniciativa de dar ocupação aos presidiários. Zeglin e Barros, inclusive, deram exemplos de casos em que as pessoas em privação de liberdade foram utilizadas na construção civil – em troca, recebiam redução da pena, alimentação e, em alguns casos, remuneração pelo serviço.

Dentro dessa argumentação, Noemia Rocha (PMDB) sugeriu que “essa parceria carcerária” fosse usada na construção de casas de recuperação para dependentes químicos. Osias Moraes (PRB) lembrou a atuação das igrejas dentro dos presídios. “Eu, como cristão, vejo esse trabalho sendo feito há 30 anos. Semana passada, a Câmara homenageou a UNP [Universal nos Presídios]”, citou. “Há presidiários que querem uma oportunidade para recomeçar. Estão esperando uma nova chance”, acrescentou. Oscalino do Povo (Pode) também apoiou a iniciativa.

Professor Silberto (PMDB) levantou um senão sobre a presença dos presidiários nas escolas públicas. “Você colocaria seu filho em escola onde presidiários fazem o serviço [de manutenção]? A direção da escola não tem como acompanhar o tempo todo”, questionou. “Não pensamos em presos de mau comportamento”, respondeu Bruno Pessuti, lembrando que reformas nas escolas poderiam ocorrer fora do ano letivo. “Poderiam limpar pichações. Pegar pano e sabão e limpar as placas de trânsito cobertas pela poluição”, finalizou o autor da sugestão ao Executivo.

Com informações da Câmara Municipal de Curitiba.

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