Vídeo da PF revela “caminho da propina” entregue a Gleisi

Jordana Martinez


Um vídeo produzido pela Polícia Federal reconstituiu quatro crimes sequenciais de corrupção e será usado pela Procuradoria-Geral da República como prova contra a senadora Gleisi Hoffmann, atual presidente do PT, diz matéria publicada pela revista Veja desta semana.

Nas imagens, o advogado Antônio Carlos Pieruccini diz ter transportado o dinheiro de São Paulo para Curitiba, a mando do doleiro Alberto Youssef, em quatro ocasiões, tendo como destinatário o empresário Ernesto Kugler e como beneficiária a campanha de Gleisi.

Acompanhado por um investigador, Pieruccini percorreu as ruas de Curitiba para mostrar como fez chegar à senadora quatro pacotes de dinheiro derivados do esquema de subornos montado na Petrobras. No vídeo, o advogado, que fez delação premiada, vai com o agente aos locais onde entregou quatro pacotes de 250 mil reais cada, além de dar detalhes sobre o que conversava quando contava o dinheiro da senadora.

Na época a defesa do ex-ministro e marido de Gleisi, Paulo Bernardo, questionou a validade das delações premiadas que citavam pagamentos de propina ao casal de petistas. O argumento é de que havia muitas contradições nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Gleisi também alegou que a denúncia tinha base unicamente “em questionáveis delações do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do sócio do doleiro, Antonio Carlos Pieruccini”.

“Se Pieruccini esteve realmente quatro vezes com o empresário, por que a Polícia Federal não obteve provas físicas desses encontros? A bem da verdade, a denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido. Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal”, questionou a senadora, citando que um dos delatores chegou a apresentar seis versões diferentes para esses fatos, “o que comprova ainda mais que eles não existiram”, afirmou à época.

Outro lado

Em nota, o advogado da senadora Gleisi Hoffmann, Rodrigo Mudrovitsch, questiona o vídeo e afirma que o material foi totalmente desmentido durante o processo e que o autor mentiu com a intenção de obter imunidade como colaborador da investigação.

“A reportagem faz menção a vídeo produzido há mais de um ano por um controvertido investigado da Lava-Jato. Nesse vídeo, que já foi desautorizado por testemunhas e outros pretensos colaboradores, Pieruccini não é confrontado sobre aspectos centrais a respeito da falsa narrativa que embasou seu acordo de delação. Portanto, trata-se de história baseada em vídeo antigo, precário e totalmente desmentido ao longo da instrução da ação penal. Ao contrário do que sugere a reportagem, está claro nos autos que esse pretenso ‘colaborador da Justiça’ mentiu com único propósito de obter imunidade penal em outros casos”, encerra a nota.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.