Celso de Mello autoriza divulgação do vídeo da reunião entre Bolsonaro e Moro

Redação

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O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a divulgação do vídeo que mostra Jair Bolsonaro (sem partido) e Sergio Moro durante a reunião interministerial do dia 22 de abril. Veja a decisão aqui.

Com isso, o magistrado atende parcialmente o pedido da defesa do ex-ministro. O vídeo será divulgado, em instantes, no site do STF. Contudo, algumas falas, sobre a China e Paraguai, foram cortados.

O registro audiovisual é peça chave no inquérito que investiga as acusações de Moro, em seu pedido de demissão, contra o presidente. Segundo Moro, o vídeo comprova que o Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF (Polícia Federal) e cobrou relatórios de inteligência.

A decisão de Mello foi tomada nesta sexta-feira (22). O ministro do STF assistiu, pela primeira vez, a íntegra do vídeo na segunda-feira (18) e divulgou que a decisão sairia até às 17h de hoje.

Na semana passada, o ministro Celso de Mello autorizou diversos depoimentos sobre as acusações. Além de Moro, foram ouvidos o ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo; os ministros Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); a deputada federal Carla Zambelli, entre outros.

Nesta semana, o empresário Paulo Marinho e outros delegados da PF foram ouvidos. Hoje cedo, Celso de Mello pediu à PGR (Procuradoria-Geral da República) para apreender os celulares de Bolsonaro e seu filho, Carlos, além do depoimento do próprio presidente. Com isso, é esperada a manifestação de Augusto Aras, que não tem prazo limite para definir sobre os pedidos.

VÍDEO PODE SER A PROVA DE MORO CONTRA BOLSONARO

A investigação sobre as acusações de Moro foi pedida pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e aceita pelo STF, com Celso de Mello sendo sorteado o ministro a ser o relator do caso.

O vídeo foi exibido, em sua íntegra, para todas as partes envolvidas no inquérito na manhã da terça-feira (12) da semana passada. A defesa de Moro disse que o vídeo comprova as declarações do ex-ministro enquanto Bolsonaro afirmou que não se preocupa e que o registro deveria ter sido destruído.

No final do dia, o ministro Celso de Mello deu prazo de 48 horas para as partes se posicionarem – a favor ou contra – sobre a retirada do sigilo, ou seja, divulgação do vídeo da reunião de ministros.

A defesa de Moro foi a primeira a encaminhar seu pedido, defendendo a divulgação do vídeo.

Contudo, a AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o presidente Bolsonaro, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestaram contra à divulgação integral do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Segundo AGU e PGR, apenas dois trechos, que abordam as falas de Bolsonaro sobre a PF, devem ser publicados.

Entretanto, essas falas já foram transcritas – pela própria AGU – e vieram a público. Contudo, a defesa de Moro diz que esse recorte do vídeo omite “trechos relevantes” da reunião.

ENTREVISTA DE EMPRESÁRIO VIROU NOVO ELEMENTO NA INVESTIGAÇÃO

No último domingo (17), um novo elemento surgiu na investigação contra o presidente. O empresário Paulo Marinho, em entrevista à Folha de S. Paulo, disse que Flávio Bolsonaro foi avisado que a PF iria deflagrar uma operação que tinha, como alvos, Carlos Queiroz e sua filha, funcionários do filho do presidente em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo Marinho, um delegado da PF foi quem informou Flávio, aconselhando-o a demitir Queiroz e sua filha. Esse delegado “simpatizava” com a candidatura de Jair Bolsonaro e sabia que a operação poderia afetar a imagem da família Bolsonaro durante as eleições de 2018.

Flávio relatou todo o episódio para seu pai, que o aconselhou demitir Queiroz e a filha. Assim Flávio fez: exonerou ambos no dia 15 de outubro de 2018, antes da operação ser realizada.

Esse relato de Paulo Marinho implica no interesse de Bolsonaro de obter o comando da PF no Rio de Janeiro, apresentado por Moro em seu depoimento. O ex-ministro relatou que o presidente o cobrou uma vez falando a seguinte frase: “Você tem 27 superintendências [da Polícia Federal] e eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”. Ou seja, Bolsonaro gostaria de controlar a PF para afobar esse caso.

Com isso, Marinho prestou depoimento nesta quarta-feira (20).

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